'Meu irmão ficou viciado nessa droga que é o poder'
Fabrício Correa: empresário e irmão do presidente do Equador [br]Empresário nega tráfico de influência, diz que Correa é cercado de 'comunistas' e teme que irmão não acabe mandato
Irmão do presidente Rafael Correa, o empresário Fabrício Correa se tornou um de seus maiores críticos. A relação azedou quando Fabrício, tesoureiro na campanha de Correa, foi acusado de tráfico de influência para conseguir contratos com o Estado. O presidente cancelou esses contratos e em resposta, Fabrício denunciou casos de corrupção no governo, derrubando a popularidade do irmão. A seguir, trechos da entrevista concedida por Fabrício, por telefone, ao Estado:
Correa sabia desses casos de corrupção denunciados pelo senhor?
Falei pessoalmente com Rafael, mas ele não acreditou em mim. Só fui à imprensa depois - também tenho uma imagem a zelar. Rafael é inexperiente, nunca administrou nada. É um acadêmico. Por ser um homem bom, acredita que todos são como ele. Ficou viciado nessa droga que é o poder.
Mas o senhor também foi acusado de tráfico de influência...
O governo diz que fiz as denúncias por causa do fim dos contratos. Apresentei provas de todas elas à Justiça. Não sou deputado e não tenho imunidade. Falo a verdade, por isso todos estão abalados. Ninguém conseguiu demonstrar nada. Desafio o presidente a dizer que ministro foi influenciado por mim. Só há tráfico de influência quando alguém se deixa influenciar.
Que tipo de socialismo seu irmão quer implementar no Equador?
É o comunismo do século 21, uma pseudo democracia. Esses rapazes que rodeiam meu irmão e se dizem de esquerda, como o (chanceler) Ricardo Patiño, são fundamentalistas, como a Al-Qaeda. Não são maus, mas são fanáticos e podem causar muito estrago pensando que fazem o bem. Eles acham que, ao controlar o poder de forma totalitária e perpetuando-se nele, ajudam os pobres. Não se importam em violar liberdades individuais e leis de mercado ou de sufocar o empreendedorismo. Essa fórmula fracassou em Cuba e na Venezuela.
Até onde vai a influência da Venezuela no governo de seu irmão?
A influência é total. A Venezuela o apoiou na campanha, mandou peritos e assessores. Aqui a receita é venezuelana, mas foi melhorada. Chávez demorou para controlar os meios de comunicação. Rafael pode se apropriar do grupo Isaías, dono da metade dos meios de comunicação do país. Os demais são manipulados com a distribuição de verba publicitária.
Por que a popularidade do presidente está caindo?
A publicidade oficial não consegue ofuscar o aumento do desemprego, da violência, a fuga de investimentos e os apagões.
Você já disse que acredita que ele não vai terminar seu mandato...
Continuo a acreditar nisso. No Equador não haverá golpe militar, mas olhe o caso de Honduras. A oposição pode se unir a dissidentes do movimento de Rafael na Assembleia para paralisar esse projeto comunista. Se meu irmão não mudar, não terminará seu mandato.
O senhor já fez negócios com a Odebrecht. Qual foi o resultado da expulsão da empresa do país?
Foi uma bobagem. A solução não era a saída da Odebrecht, era que a empresa assumisse a responsabilidade pelos prejuízos na construção da hidrelétrica de San Francisco. Essa usina continua com problemas e construir uma nova custará quase o mesmo que refazê-la. Outros três projetos tocados pela Odebrecht foram entregues a empresas locais que estão cobrando o mesmo preço ou estão paralisados, como a usina de ToachPilatón. É um projeto de US$ 350 milhões, com capacidade de produção de 238 Mw. Pode resolver o problema dos apagões no país.
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