México destitui 10% de seus policiais por corrupção ou ligação com cartéis
Limpeza. Uma semana após a chacina de 72 imigrantes estrangeiros, a Polícia Federal mexicana anuncia a expulsão de 3,2 mil agentes federais; ação é o maior expurgo realizado na corporação desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder, em 2006
CIDADE DO MÉXICO
Uma semana depois da descoberta do massacre de 72 estrangeiros - incluindo pelo menos 2 brasileiros - por integrantes do cartel de narcotráfico Los Zetas, a Polícia Federal mexicana anunciou ontem a exoneração de 3,2 mil agentes, 10% do seu efetivo. Os policiais afastados são suspeitos de corrupção e envolvimento com o crime organizado. Outros 1.500 serão destituídos numa segunda etapa.
A medida representa o maior expurgo na polícia desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder, em 2006, e é parte da estratégia de revisão e centralização da corporação responsável pela luta contra os cartéis do narcotráfico, que atuam também como "coiotes", facilitando a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.
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A Polícia Federal contava com 34.500 agentes antes das demissões, mas, segundo algumas fontes, está contaminada pela corrupção. O grupo Los Zetas é formado principalmente por ex-militares e ex-policiais mexicanos.
As chacinas tornaram-se comuns no México, onde 28 mil pessoas morreram desde 2006, quando Calderón assumiu e ordenou que o Exército fosse para as ruas numa declaração de guerra aos cartéis.
O governo mexicano busca agora estabelecer uma polícia unificada para todo o território, com um comando centralizado, para reduzir a corrupção e retirar os 50 mil membros das Forças Armadas que se envolveram nas operações de combate ao narcotráfico.
Sobrevivente. O único sobrevivente do massacre em San Fernando, no Estado de Tamaulipas, foi levado de volta ao Equador sob forte esquema de segurança em um avião cedido pela presidência equatoriana. O ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse que Luis Freddy Lala Pomavilla e a família dele estão sob a proteção do governo de Quito.
O chanceler pediu ainda que os parentes deem informações que ajudem a identificar os imigrantes do grupo massacrado no México.
A Justiça mexicana decretou ontem a prisão preventiva do único detido pelas mortes dos 72 ilegais. Exames médicos comprovaram que Eduardo Rico Pérez tem mais de 18 anos e poderá ser processado judicialmente. Ele foi preso durante a troca de tiros entre policiais e narcotraficantes na fazenda onde estavam os corpos - encontrados após a denúncia do equatoriano, que sobreviveu porque os bandidos pensaram que ele já estivesse morto.
Até o momento, foram reconhecidas 40 vítimas, incluindo 15 hondurenhos, 13 salvadorenhos, 5 guatemaltecos, 6 equatorianos e 1 brasileiro - Juliard Aires Fernandes. O segundo cidadão brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos, teve os documentos encontrados no local do massacre, mas seu corpo ainda não foi identificado (mais informações nesta página).
Preocupado com a crescente violência no país vizinho, o governo americano anunciou ontem que ampliará o uso de aviões não tripulados para reforçar a segurança na fronteira com o México a partir de amanhã.
A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, anunciou o aumento da vigilância da Califórnia até a área do Golfo do México, no Estado do Texas.
SEMANA SANGRENTA
1- Ciudad Juárez:
Policial morre na 2ª-feira
2- San Fernando:
Corpos de 72 ilegais achados
na 3ª-feira
3- Monterrey: Soldados
matam 4 suspeitos na 6ª-feira
4- Ciudad Victoria:
Carros-bomba explodem na
6ª-feira
5- Acapulco:
14 corpos encontrados na 6ª-feira
6- Reynosa: granadas
deixam 15 feridos no sábado
7- Hidalgo: Prefeito morto por traficantes no domingo
8- Veracruz: 7 mortos ontem
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