Ministro busca obter maioria em conselho
A renovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é a chance para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, garantir maioria segura para aprovar propostas que considera essenciais. Como presidente também do CNJ, Mendes encontrou dificuldades para aprovar medidas que pareciam ser simples.
Em março, o ministro queria aprovar recomendação para que os juízes priorizassem julgamentos de conflitos agrários, uma forma de tentar coibir as invasões pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Conselheiros reclamaram que Mendes não apresentou previamente a proposta ou negociou com os colegas sua aprovação - e quase derrubaram a iniciativa. O corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, deu o voto de desempate em favor de Mendes.
Conselheiros afirmavam que Mendes tentava atropelar os colegas nas votações e fazê-los engolir suas propostas. Com isso, construiu inimizades no CNJ. A indicação de um aliado, como Marcelo Neves, é importante para o ministro. Mas a estratégia de declarar apoio e pedir votos para um candidato que ocupará uma vaga do Senado poderá gerar problemas. Se o escolhido for o advogado Erick Pereira, Mendes terá perdido apoio de um futuro conselheiro.
O CNJ tem 15 integrantes - dois representantes da sociedade indicados pelo Senado e pela Câmara; a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público escolhem dois cada; nove são indicações do Judiciário.
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