Mladic desafia parentes de vítimas em tribunal
Em audiência em Haia, ex-general da Guerra da Bósnia demonstra arrogância e nenhum arrependimento pelo massacre de 8 mil bósnios em Srebrenica
Ratko Mladic, ex-general na Guerra da Bósnia e acusado de genocídio, desafiou ontem a Justiça e as famílias de suas vítimas. Ele compareceu ao Tribunal Internacional para a ex-Iugoslávia, onde estava sendo esperado havia 16 anos, e, apesar de alegar estar doente, mostrou-se determinado a se defender. Arrogante, chegou a saudar as famílias de suas vítimas e não demonstrou arrependimento.
Mladic teve sua prisão pedida em 1995 - depois de organizar o massacre de Srebrenica, deixando mais de 8 mil mortos -, mas passou mais de uma década sem ser capturado. Ontem, ele era apenas uma sombra do homem poderoso que desafiou as forças da ONU e conduziu o pior massacre na Europa desde a 2.ª Guerra.
Ele se recusou a declarar se era culpado ou não, mas foi acusado por 11 crimes, entre eles genocídio, limpeza étnica e crimes contra humanidade. Mladic insistiu em usar a questão de sua saúde para conter o processo. Com 69 anos, ele insistiu que era "um homem muito doente".
Na medida em que o processo era conduzido e os crimes que cometeu desfilavam na leitura de suas acusações, Mladic parecia recuperar forças e acabou se traindo. Segundo o advogado dele, Mladic tem câncer. Mas o ex-general se mostrou em forma para responder às acusações e atuou como se ainda estivesse sob o comando de uma força militar.
"Defendi meu povo, meu país. Agora, vou me defender", disse. "Sou Ratko Mladic. Não matei croatas por serem croatas. E não estou matando ninguém na Líbia", disse, em referência à Otan, que também atuou na Guerra na Bósnia.
Mladic classificou as acusações que pesam contra ele como "alegações monstruosas" e não mostrou nenhum remorso. Quando o juiz Alphons Orie citou o caso dos 8 mil bósnios muçulmanos mortos em Srebrenica, Mladic disse: "Nunca ouvi nada disso, nem entendo o que seja".
Bósnios. O momento mais dramático da audiência foi quando Mladic decidiu desafiar o público que estava na corte, entre eles mães, irmãos e pais de suas vítimas. A uma das mães de uma das vítimas de Srebrenica, Mladic usou o polegar e o dedo indicador para insinuar que ela era alguém insignificante. Durante a leitura das acusações, Mladic mantinha um olhar desafiador para as vítimas.
O grupo de bósnios teve de ser acalmado em várias ocasiões pelos guardas. Mas, quando a audiência terminou, eles gritaram: "Assassino! Açougueiro!". Mladic não parecia se importar e apenas sorriu de volta.
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