Morte de atleta provoca indignação
Embora trágica, a morte do mesatenista argentino Carlos Maslup, de 48 anos, que disputou os Jogos Parapan-Americanos no Rio, não foi uma surpresa para as entidades que defendem os direitos dos deficientes físicos. ''''A discriminação, por parte dos organizadores, estava evidente, antes mesmo do início dos Jogos Parapan-Americanos'''', aponta Andrei Bastos, assessor da superintendência do Instituto Brasileiro de Defesa dos Deficientes (IBDD). ''''As falhas de estrutura e na assistência médica para os atletas são verdadeiros absurdos'''', opina.
Maslup, medalha de bronze no tênis de mesa nos Jogos Parapan-Americanos, morreu ontem, por falência múltipla de órgãos, depois de ter tido morte cerebral na terça-feira, em decorrência de um acidente vascular cerebral, ocorrido no domingo.
Apesar de ter sofrido o derrame às 4 horas de domingo, o argentino só conseguiu ser atendido no Hospital Salgado Filho às 15 horas - depois de ter passado por outros dois hospitais, que não tinham vagas ou não estavam equipados para atender a ocorrência. ''''Ele passou por vários hospitais, dentro de uma viatura do Corpo de Bombeiros. Por si só, esse já seria um fato muito grave'''', observa Andrei Bastos. ''''Quando foi atendido, já respirava por aparelhos.''''
Em nota, o Comitê Organizador (Co-Rio) afirmou que ''''todos os procedimentos adotados no atendimento ao atleta estão de acordo com as normas determinadas para casos como este.''''
Ao contrário do que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos, quando uma empresa de saúde privada prestou serviço para as delegações, os atletas portadores de necessidades especiais dependeram do sistema público para serem socorridos.
Para o assessor do IBDD, somente a investigação dos contratos entre o Co-Rio (Comitê Organizador dos Jogos) e a empresa que deveria prestar a assistência médica poderá apurar as responsabilidades. ''''O IBDD quer apurar de quem é a culpa, e se houve negligência'''', comenta. ''''Isso poderá ser feito por meio de uma CPI, instaurada na Câmara dos Vereadores do Rio, ou via Ministério Público'''', informa Bastos. ''''Também poderemos entrar com uma ação judicial.''''
PROBLEMAS
O precário atendimento médico prestado ao argentino Carlos Maslup não foi o único problema dos Jogos Parapan-Americanos. ''''Houve outros sinais de discriminação em relação ao evento e aos participantes: algumas instalações não tinham acessos adequados para os deficientes'''', aponta Bastos.
Também ocorreram problemas nas cerimônias de abertura e encerramento, que dificultaram a participação dos deficientes físicos.
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