Mortos e feridos num raio de 80 m
Ana Maria, de 58 anos, e Denian, de 41, morreram na explosão; duas pessoas permaneciam internadas ontem
Para quem observava as cenas do local da explosão, tinha-se a impressão de um bombardeio aéreo em área urbana, cenário de guerra, com mortos e feridos. O impacto provocou estragos e feriu pessoas em um raio de 80 metros, segundo o Corpo de Bombeiros. A prefeitura chegou a informar, preliminarmente, que haveria 11 mortos, mas corrigiu o número posteriormente para 2.
No fim da tarde, o ajudante geral José Carlos Martins chorava abraçado ao filho, Eduardo, após reconhecer o corpo da mulher, Ana Maria Martins, de 58 anos, no Instituto Médico-Legal (IML). José Carlos soube do acidente em casa, por volta das 15 horas. Inicialmente, ele não acreditava que a mulher havia morrido no acidente. "Vim aqui (IML) para ver se era ela." Pai e filho chegaram acompanhados de amigos e parentes em um Gol branco. Cláudia, sobrinha de Ana Maria, disse que a tia trabalhava havia três anos como empregada doméstica na loja que explodiu. Ela teria ouvido dizer que nos fundos da loja havia um fio de eletricidade descascado. Uma faísca teria sido notada antes da explosão.
O pastor Edson Amint, da Igreja de Cristo Pentecostal, também esteve no IML para amparar José Carlos e Eduardo, único filho do casal. Ele contou que Ana Maria frequentava a igreja havia dez anos. Ia aos cultos somente aos domingos, por causa do trabalho às terças e quintas-feiras. Disse ainda que a família é muito simples e pobre e os três moravam perto do local do acidente. Eduardo afirmou que a mãe nunca reclamou da falta de segurança no local em que trabalhava.
O corpo da segunda vítima, Denian Castellani, de 41 anos, foi identificado somente no início da noite pela prima, Maria José Castellani. Ela também é parente de Sandro Castellani, proprietário da loja de fogos de artifícios que explodiu. Segundo ela, Denian era solteiro, trabalhava no Colégio São José e vivia junto com a mãe, Sônia Catellani, nos fundos do imóvel onde os fogos eram vendidos. Sônia permanecia internada até a noite de ontem.
Desde o início da tarde, policiais e agentes da prefeitura buscaram também por três pessoas desaparecidas. Um adolescente de 14 anos foi logo depois localizado na escola em que estuda, assim como uma outra mulher. Às 20h30, foram encerradas oficialmente as buscas. A polícia não confirmou a identidade das pessoas nem se o terceiro desaparecido seria Sandro Castellani. Durante o dia, ajudaram nas buscas as pastoras alemãs Jade e Peck e a labradora Safira.
PURA SORTE
Um dos carros cobertos por escombros salvou a vida do dono da oficina mecânica vizinha à fábrica clandestina de fogos de artifícios que explodiu no fim da manhã de ontem. Wagner Montanari havia deitado embaixo do veículo para consertá-lo, momentos antes do acidente. Para a prima dele, Roseli Montanari, foi o suficiente para protegê-lo. Além dele, 11 pessoas se feriram e precisaram de atendimento médico. Até a noite de ontem, duas seguiam internadas em observação.
A maioria das vítimas foi socorrida no Centro Hospitalar, no centro de Santo André: cinco mulheres e quatro homens. Entre elas estavam os irmãos Valdir e Osmar Robim. Valdir, de 43 anos, voltava do almoço e estava a cerca de 100 metros da oficina mecânica, situada numa rua próxima à loja de fogos, quando ouviu o estrondo. "Vi pedras e objetos voando. Senti uma pancada forte nas costas e desmaiei por alguns minutos." Um tijolo atingiu a testa dele, causando um corte.
Osmar estava na oficina na hora da explosão, pois não saiu para almoçar com o irmão e com os funcionários do local. Optara por ficar na cozinha do imóvel com a mulher e o filho. "As luzes se apagaram e, em questão de minutos, a luz voltou, e aí escutamos uma explosão muito alta. Pensei que um avião tivesse caído." Ele saiu de casa e foi correndo para a rua, para ver o que havia acontecido. No meio do caminho, escutou bombas e rojões.
Os dois irmãos receberam alta ainda ontem, assim como outros três feridos. Uma gestante e um policial militar foram transferidos para os hospitais da Mulher e da PM, respectivamente. Permaneceram internados Montanari e Sônia Castellani. O primeiro apresenta queimaduras leves no cotovelo, uma contusão no ombro direito e cortes no rosto, de acordo com o diretor do Centro Hospitalar, Ricardo Ribeiro Magalhães Cruz.
Sônia é a outra proprietária do lugar que explodiu. Ela sofreu queimaduras superficiais no globo ocular. Como tem quadro cardíaco e estava abalada emocionalmente, teve arritmia, mas está bem. A previsão é de que volte para casa hoje. O diretor do Centro Hospitalar ressaltou que o hospital até seria capaz de atender mais vítimas. "Pela dimensão do acidente, estávamos preparados para receber o pior."
Outras três pessoas ficaram levemente feridas, foram medicadas no Pronto-Atendimento Central de Santo André e receberam alta.
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