Mudança faz governo antecipar nº de homicídio, que subiu 92% em outubro

Publicação de dados 4 dias antes do usual foi a última ordem cumprida por Ferreira Pinto; manobra tenta preservar imagem de Grella

Artur Rodrigues e Daniel Trielli - O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2012 | 02h03

No dia da queda do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, o governo do Estado antecipou, pela primeira vez, a divulgação das estatísticas mensais e revelou um aumento de 92,3% nos homicídios na capital em outubro, com 150 casos e 176 mortos, em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, 1.157 pessoas já foram vítimas de assassinato na cidade, mais do que 2011 inteiro.

Como houve na capital grande ocorrência de chacinas (quando há três ou mais mortos), o crescimento no número de vítimas foi ainda maior e chegou a 114%.

Na Grande São Paulo, principal cenário da guerra não declarada entre Polícia Militar e Primeiro Comando da Capital (PCC), aconteceram 286 homicídios em outubro, contra 173 no mesmo mês do ano passado - uma variação de 65,3%. Os homicídios no Estado variaram de 366 para 505 em outubro. A alta foi de 38%. Se for contabilizado o número de crimes acumulados de janeiro a outubro, o aumento em todo o Estado foi de 11,6% e de 29,1% na capital.

A divulgação antecipada dos dados foi a última ordem dada pelo governador Geraldo Alckmin a Ferreira Pinto. A medida inédita teve como objetivo evitar que o aumento nos homicídios desgastasse a imagem do novo secretário, Fernando Grella Vieira. Se o cronograma fosse seguido, a divulgação dos dados seria feita apenas na próxima segunda-feira.

Com toda a cúpula prestes a ser substituída pelo novo secretário, diferentemente do que habitualmente faz, a Secretaria da Segurança não disponibilizou nenhum representante para comentar os números. Em sua página na internet, a pasta ressaltou que a taxa de homicídios no Estado em outubro fechou em 10,89 casos por 100 mil habitantes, índice que chegou a ser de 35,27 em 1999.

Se for contabilizado apenas o mês de outubro, porém, a capital atingiu o índice de 15,9. Depois de ficar abaixo de 10 mortes por 100 mil habitantes, esse índice na cidade já se aproxima da média do Brasil, que é de 22,3.

Região Metropolitana. Entre as cidades da Grande São Paulo, Francisco Morato está entre as que tiveram aumento mais significativo nas mortes. De janeiro a outubro, já são 23 casos. No mesmo período do ano passado, foram 10 - variação de 130%. Taboão da Serra teve alta ainda maior. Passou de 16 para 37 homicídios, aumento de 131,3%. Em Ferraz de Vasconcelos, as mortes quase dobraram, passando de 19 para 37 (94,7%).

Diadema, na região do ABC paulista, subiu de 28 para 39 homicídios (39,3%). Na mesma região, Mauá teve 48 homicídios, ante 36 em outubro de 2011.

Apesar de ter sido cenário de chacinas e ataques a policiais militares, Guarulhos teve diminuição nos homicídios, passando de 159 para 136 - queda de 14,5%. Também cenário de casos que trazem características de execuções, Carapicuíba foi uma das cidades que registraram uma das maiores quedas, passando de 49 para 41 casos, variação negativa de 16,3%. Santo André também teve diminuição nos casos de homicídios - foi de 58 a 47, redução de 19%.

Latrocínio. O número de roubos seguidos de morte permaneceu estável na Grande São Paulo, com 14 casos. No Estado, houve diminuição. Foram 21 casos em outubro, contra 28 no mesmo período no ano passado, uma queda de 25%.

Já os estupros passaram de 842 de 1.239 no mês, uma alta de 47,1%.   COLABOROU MARCELO GODOY

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