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Mudar os circuitos, o segredo para mais ultrapassagens

A FIA tenta de tudo para facilitar a manobra que é em essência o que gera emoção nas corridas, mas não mexe nas pistas

06 de março de 2011 | 0h 00
Livio Oricchio - O Estado de S.Paulo

Muito se tem discutido a respeito das constantes mudanças nos regulamentos técnico e esportivo da Fórmula 1. Nos últimos anos, de uma temporada para a outra a FIA mexeu nos pneus, na aerodinâmica, eletrônica, no motor, impôs novas regras de conduta na pista, enfim, tentou de tudo para facilitar as ultrapassagens. Qualquer revisão daquilo que já existe custa muito caro. Mas há outra forma de melhorar o espetáculo e nem sequer é cogitada pelos responsáveis da F-1: alterar o traçado dos circuitos, boa parte concebia pelo arquiteto alemão Hermann Tilke.

Para vários chefes de equipe, como Christian Horner, da Red Bull, os homens que mandam na competição deveriam sentar com organizadores de provas como Abu Dabi, Barcelona e Cingapura, por exemplo, discutir a questão e lhes pedir para rever imediatamente seus circuitos. "Custaria bem menos que nós repensarmos tudo", lembra Horner. Fernando Alonso tinha um carro quase um segundo mais veloz que a Renault do russo Vitaly Petrov, no GP de Abu Dabi do ano passado, mas não conseguiu ultrapassá-lo. Como recebeu a bandeirada em sétimo e Sebastian Vettel venceu, o talentoso alemão da Red Bull celebrou a conquista do campeonato.

"Perdermos o título mundial por causa de nossos próprios erros e das características de um traçado que torna as ultrapassagens quase impossíveis", afirmou Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.

Antes de ser internado num hospital inglês, depois de passar mal, dia 2, o escocês Jackie Stewart, piloto campeão do mundo em 1969, 1971 e 1973, atribuiu as poucas ultrapassagens de hoje à natureza das pistas. "E todas desenhadas por um único homem, Hermann Tilke."

No GP do Bahrein do ano passado, o Estado perguntou a Tilke se consultava os pilotos na hora de conceber os circuitos. "Às vezes procuro Michael (Schumacher) para me orientar sobre determinados problemas", respondeu. Essencialmente, é tudo feito da sua cabeça.

Tilke acabou no universo da F-1 por acaso. Sua empresa projetou o aeroporto de Kuala Lumpur, um dos mais belos e funcionais do mundo, nos anos 90, e nessa época o governo malaio negociava com Bernie Ecclestone a entrada da nação no calendário. Os políticos encomendaram a Tilke, então, o projeto também do autódromo de Sepang, bem próximo ao aeroporto. O GP da Malásia passou a ser disputado a partir de 1999, quando Tilke e Ecclestone se conheceram.

A partir daí, Tilke assinou os projetos das pistas de Bahrein, China, Turquia, Alemanha (Hockenheim), Coreia do Sul, Abu Dabi e Índia, além das reformas dos dois autódromos japoneses, Fuji e Suzuka. E nunca havia sonhado, antes de 1999, em projetar um circuito. Sobre sua relação com Ecclestone, já respondeu ao Estado: "Sim, o vejo às vezes, mas mal o conheço". Não é o que a maioria dos que trabalham na Fórmula 1 diz.


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