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Municipal do Rio faz festa hoje

Os cem anos do teatro serão comemorados mesmo com obras de restauração ainda em andamento

14 de julho de 2009 | 0h 00
Roberta Pennafort - O Estadao de S.Paulo

Hoje, pela primeira vez em nove meses, as obras no Teatro Municipal carioca serão paralisadas. Os restauradores continuarão em ação, mas o trabalho pesado será suspenso. Justifica-se: é o aniversário de cem anos do palco mais nobre do Rio.

O projeto inicial era deixá-lo prontinho para a data, mas, conforme se foi revelando a necessidade de mais reparos, a previsão para a finalização da reforma - orçada em R$ 55 milhões - foi movida para novembro. Na impossibilidade de se abrir o Municipal todo ao público, a Cinelândia, a praça em frente, centralizará as festividades.

Somente uma parte do prédio estará liberada à visitação, das 10 às 14 horas. Nela, foi montada uma exposição de mil fotografias, além de documentos, programas e croquis, que apresentarão alguns dos momentos memoráveis já vividos entre suas paredes de mármore.

O ponto de partida é o restaurante Assírio. Pelo percurso, as obras terão iluminação cênica. Os visitantes passarão pelo backstage, mas não poderão entrar na sala de espetáculos, que está cheia de andaimes. A exposição termina nas galerias.

Em telões, gravações que registram a passagem de artistas como o tenor Enrico Caruso, o maestro Torturo Toscanini e o bailarino Vaslav Nijinsky. Fernanda Montenegro viveu ali dias de glória: há exatos 50 anos, encenou O Mambembe, de Arthur Azevedo, com direção de Gianni Rato e Sergio Britto e Ítalo Rossi no elenco. Fernanda, convidada para a festa de hoje, tinha 30 anos e até hoje se lembra das músicas que cantava na encenação.

A celebração do cinquentenário teve também uma testemunha, que, como outros empregados antigos, será homenageada. É Irene Orazem, que diz, com orgulho, ser a única atual funcionária que estava presente na ocasião. Contava 19 anos e era bailarina. Irene entrou para a escola de dança em 1948, aos oito. Em 1955, o sonho realizado: ingressou no corpo de baile. Foi solista, depois virou professora e ensaiadora.

Ela é atualmente produtora de figurino, e, às vésperas da aposentadoria compulsória (pelos 70 anos), não quer ir para casa. Aquela é sua casa. "É um encantamento só, uma magia. Tem sempre algo novo para se descobrir e admirar, mesmo depois de tantos anos", conta Irene, que está feliz em ver o teatro recuperando o esplendor com as obras. "Estava muito abandonado."

Silvio Cesar Santos, diretor administrativo e financeiro há um ano e dois meses, é outro que se sente feliz por acompanhar de perto a reforma - que está não só restaurando pinturas e douramentos, mas também mexendo na parte hidráulica, elétrica e no telhado. Ele trabalha no teatro há 28 anos. Começou como office boy. O pai era maitre do restaurante Assírio; o tio, chefe da portaria. "Eu frequentava desde os 15 anos. Corria pelos corredores e apreciava as bailarinas de longe. Ana Botafogo estava despontando e eu guardava recortes de jornal sobre ela. Viramos amigos", lembra Santos, que é biólogo por formação. No palco montado na Cinelândia, as apresentações vão da manhã à noite e incluem trechos de balés. A programação tem ainda a orquestra e o coro do teatro, tendo como solistas Sumi Jo (coreana) e Marcelo Alvarez (argentino).

O Theatro Municipal do Rio foi inaugurado pelo presidente Nilo Peçanha em 1909. Já em 1894, Arthur Azevedo dera início a uma campanha por sua criação. A capital federal, que passava por uma ampla reforma urbanística, tendo Paris como modelo, não tinha um teatro à sua altura. Azevedo conseguiu a aprovação de uma lei que determinou sua construção - iniciada somente em 1905.