Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Cultura
Início do conteúdo

Na pista, o Synthpop do Cut Copy

Tim Hoey, guitarrista da elogiada banda, fala de sua mistura de house, rock e sons dos anos 80

09 de junho de 2011 | 0h 00
Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo

Os australianos do Cut Copy são experts na fusão de indie rock com música de pista. Liderado pelo produtor e compositor Dan Whitford, o trio, que toca no País pela primeira vez amanhã, no HSBC Brasil, há três discos aperfeiçoa uma fórmula certeira, mesclando odes à distorção influenciadas pelo rock alternativo dos anos 90 com referências ao pop de AM americano dos anos 70 (pense Fleetwood Mac, Darryl Hall & John Oats, America). Junte a pulsação arejada do house francês e timbres que remetem aos anos 80, década de inesgotável força na música independente de hoje, e pode se ter uma ideia do som da banda.

'Foco é experimentar essas sonoridades, esculpi-las,e não relembrá-las apenas' - Creative Commons/Divulgação
Creative Commons/Divulgação
'Foco é experimentar essas sonoridades, esculpi-las,e não relembrá-las apenas'

"É curioso. Os sintetizadores ficaram atrelados aos anos 80, pois foi a época em que foram mais usados na música pop. Mas o nosso foco é experimentar essas sonoridades, esculpi-las. Não relembrá-las", conta Tim Hoey, guitarrista da banda, ao Estado. "Muito do que está acontecendo agora na música independente parece ser propositalmente datado ou nostálgico, porque os sintetizadores são inseparáveis da maneira com que as pessoas pensam na música dos anos 80", explica, referindo-se a vertentes do pop independente como o hypnagogic pop de James Ferraro e Oneohtrix Point Never, e o chillwave de Toro Y Moi e Neon Indian, artistas que recriam, propositalmente, a sonoridade plástica associada à música da época.

Estética
"Mas a guitarra está aí há mais de 60 anos e os músicos não pararam de descobrir maneiras criativas de usá-la. E dizer que o rock moderno não é tão autêntico quanto música de guitarra antiga é preconceito. Para mim, os synths soam modernos e retrô ao mesmo tempo, uma estética atemporal que nós tentamos transformar em algo contemporâneo", completa.

Desde 2004, o Cut Copy empacota todas essas referências em hits que fazem ferver a blogosfera. Viraram darlings da crítica indie via Pitchfork e Guardian e, nos últimos anos, tem colocado Melbourne, casa de bandas como Empire of the Sun e Miami Horror, que esteve aqui em maio, no mapa como um dos polos da dance music.

"A Austrália é meio isolada", observa Hoey. Quando o Dan começou, em 2001, e até quando eu entrei para a banda, em 2003, a internet não era o que é hoje. Não era tão fácil chamar a atenção", diz, sobre o sucesso on-line.

Em 2003, o sampler de Dan Whitford quebrou e o produtor decidiu montar uma banda para gravar seu novo disco, em vez de fazê-lo sozinho. O resultado foi Bright Like Neon Love, que deu ênfase orgânica à sua música. Com a ajuda da aproximação virtual da nova indústria fonográfica, o Cut Copy cresceu no boca a boca, post a post. Foram primos musicais de nomes como Justice, Simian Mobile Disco, Klaxons e Datarock, e surgiram na cena um pouco antes que o new rave, febre de indie dançante, contagiasse os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Como muitas dessas bandas, a inspiração vinha do sucesso de Daft Punk e LCD Soundsystem, e o disco chamou atenção com os hits Zap Zap e Future.

"Naquela época, nós nos conhecíamos pouco, todos tínhamos um background diferente, então, apresentávamos sons novos para cada um, o que moldou o som da banda. Quando o primeiro disco saiu, não fez muito barulho, mas tivemos boa recepção no Reino Unido e na Austrália. Hoje em dia, ele faria mais sucesso, pois soa bastante com o que está acontecendo agora na cena chillwave", reflete.

Produção
Tim Goldsworthy, parceiro de James Murphy na DFA Records, gostou e resolveu produzir o segundo disco, In Ghost Colors. "O Tim nos ajudou bastante", explica. "Ele nos levou a um patamar sonoro muito apurado. Chegamos a Nova York com todas as músicas prontas e lá nós regravamos tudo com a ajuda da gigante coleção de sintetizadores antigos dele", recorda.

In Ghost Colors chegou ao primeiro lugar da parada australiana e fez com que Lady Gaga se interessasse pela banda, convidando os músicos para abrir os shows do Monster Ball Tour.

A estética do disco tinha muito das camadas de distorção de Sonic Youth, My Bloody Valentine, Pavement. Hoey explica: "Ao mesmo tempo, somos uma banda diversa. Gostamos tanto de nossas guitarras quanto de nossos discos de house, experimentamos sintetizadores antigos e misturamos sonoridades orgânicas. In Ghost Colors era mais definido. No novo álbum, queríamos fazer um trabalho que pudesse ser ouvido do início ao fim, queríamos algo mais longo e hipnótico", conta sobre o elogiado Zonoscope, lançado no início deste ano.


CUT COPY - HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antonio, telefone 4003-1212. Amanhã, às 22 horas. R$ 160/ R$ 250.

ZONOSCOPE
UNIVERSAL
R$ 30