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Não há vagas!

29 de janeiro de 2012 | 3h 02
Paulo Vinícius Coelho - O Estado de S.Paulo

No dia 18 de novembro de 1994, Juninho Paulista aqueceu-se, subiu as escadas do vestiário para o gramado e cumprimentou o árbitro duas vezes. Só não precisou olhar no calendário, para se certificar de que estava jogando duas partidas na mesma data, porque a informação era pública. O Brasil inteiro estava chocado. O acúmulo de torneios da temporada 1994 fez o São Paulo jogar contra o Grêmio, pelo Brasileirão, e Sporting Cristal, pela Copa Conmebol, nos mesmos dia e estádio. Juninho pagou o preço da incompetência dos cartolas.

No dia 11 de novembro de 1994, o Grêmio entrou em campo três vezes na mesma data, pelo Gauchão. A Federação marcou as partidas contra Aimoré, Santa Cruz e Brasil de Pelotas para o mesmo lugar, no mesmo dia e justificou que o clube estava envolvido também em duas competições internacionais, a Copa Conmebol e a Supercopa.

O escândalo provocou mudanças. No final daquela década, nenhum clube disputava duas competições continentais simultâneas. Na década de 2000, mesmo sem um calendário perfeito, os clubes voltaram a jogar com intervalos de dois, três dias no máximo.

Piorou! Na quarta-feira desta semana, o Internacional venceu o Once Caldas pela Libertadores. Na quinta, perdeu do Cerâmica pelo Gauchão e ontem entrou em campo pela terceira vez em quatro dias pelo Estadual. Sabe o que o presidente do Inter, Giovanni Luigi, disse a esse respeito? Nada!

Na próxima quarta-feira, o Flamengo recebe o Real Potosí, pela Libertadores, joga também na sexta contra o Olaria e pega o Botafogo no domingo. Não há uma declaração sobre esse escândalo, nenhuma linha sobre o assunto.

Em maio, começa o Brasileirão da Série B e será disputado simultaneamente à Segunda Divisão do Paraná.

O Paraná Clube, inscrito nos dois torneios, ou joga com time reserva em uma das Segundonas, ou muda o calendário gregoriano.

Por favor, esqueça se você gosta ou não dos estaduais. O x da questão não é esse. O Brasil precisa encontrar um jeito de o interior jogar futebol e revelar jogadores. Para isso, o máximo possível é investir nas rivalidades cidade x cidade.

Impossível criar mais dias na folhinha. O calendário só tem 365 datas e 30 delas devem ser destinadas às férias. O preço de acumular jogos no vergonhoso ritmo do início de 2012 é matar a qualidade. É matar o futebol.

A Copa Olímpica. Andrés Sanchez disse nesta semana que a seleção jogará os amistosos de junho com o time titular, não com o time olímpico. Disse também que o projeto do ouro está em segundo plano. Prioridade é o hexa em 2014.

Tudo isso está certo.

Andrés Sanchez deixou de fazer uma observação fundamental. Os times dos amistosos de junho, da Olimpíada em julho, e da Copa de 2014 serão bem parecidos.

Neymar, Pato, Ganso, Leandro Damião, Danilo, Luiz Gustavo, titular contra a Costa Rica em outubro, e Alex Sandro, titular contra o Gabão em novembro, todos têm idade olímpica.

Junte a esses os três acima de 23 anos que podem jogar em Londres. Nos amistoso de junho e na Olimpíada, em julho, o time é esse.



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