Naufrágio mata sete no Rio Amazonas
Outras 94 pessoas foram resgatadas
Seis adultos e uma criança morreram, na noite de anteontem, após o barco Almirante Barros virar ao bater num banco de areia no Rio Amazonas. O naufrágio aconteceu no município paraense de Monte Alegre, a 774 km de Belém. Entre as vítimas estão dois maquinistas e o gerente da embarcação. Noventa e quatro pessoas foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Marinha. Até a noite de ontem, equipes de busca procuravam por desaparecidos - segundo sobreviventes, a embarcação levava 150 passageiros, 50 a mais que o permitido.
A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar o acidente. O resultado deve sair em 90 dias. A polícia de Monte Alegre informou que entre os mortos estão uma mulher e a filha. Da mesma família, o pai e outra filha estão entre os desaparecidos.
O dono do barco, Adamor Barroso, pode ser processado pelas mortes caso fique comprovado que a embarcação levava mais passageiros que o permitido. O condutor, Raimundo Maciel, de 54 anos, conseguiu se salvar, mas teve de fugir do local. "Queriam me linchar, como se eu tivesse culpa", disse.
O Almirante Barroso zarpou no final da tarde de segunda-feira do distrito de Monte Dourado, no município de Almeirim, a 598 km da capital paraense, com destino a Santarém e escalas em Almeirim, Prainha e Monte Alegre. O naufrágio aconteceu por volta das 22 horas nas proximidades do farolete Ponta do Peregrino, em Monte Alegre. O barco deixou Monte Dourado, de acordo com vários sobreviventes, sem que tivesse sido elaborada a lista dos passageiros. Eles também contaram que não houve fiscalização da Capitania dos Portos. O delegado fluvial de Monte Dourado, Evandro Mesquita, será chamado para dar explicações - a Capitania dos Portos vai investigar se a lista de passageiros foi feita.
Os corpos das vítimas e os sobreviventes chegaram à cidade de Monte Alegre no começo da tarde de ontem. O oficial de Comunicação dos bombeiros, major Augusto Lima, disse que o acidente foi comunicado à Delegacia Fluvial pelo proprietário do barco. Na tentativa de encontrar mais sobreviventes ou resgatar possíveis mortos, 12 mergulhadores trabalhavam ontem no local onde o barco naufragou.
Um helicóptero de atendimento pré-hospital e um avião Caravan foram usados na operação. Médicos de Monte Alegre também foram deslocados para a região. Um helicóptero UH-12 Esquilo chegou à tarde ao local, além do navio-patrulha Bracuí. A forte correnteza do Rio Amazonas dificulta o trabalho das equipes.
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