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Nazista é acusado por 58 mortes

Descoberto por estudante no oeste da Alemanha, ex-SS de 90 anos teria participado de massacre na Áustria

18 de novembro de 2009 | 0h 00
AP E AFP, BERLIM - O Estadao de S.Paulo

Promotores alemães acusaram formalmente um suposto sargento da SS, identificado como Adolf Storms, de ter sido o responsável pela morte de 58 judeus húngaros no vilarejo austríaco de Deutsch Schuetzen durante a 2ª Guerra. Storms, de 90 anos, conseguiu ter uma vida tranquila e livre de perseguições na Alemanha por mais de seis décadas após o fim do conflito até ser descoberto por Andreas Forster, um estudante da Universidade de Viena.

"Em 29 de março de 1945, o acusado e seus cúmplices levaram 57 judeus que faziam trabalho forçado para uma floresta próxima, onde obrigaram todos a entregar seus pertences de valor e ajoelhar do lado de um fosso", afirmou a corte alemã responsável pelo caso.

"O acusado e outros integrantes da SS dispararam com crueldade contra os judeus pelas costas." Os restos das vítimas foram encontrados em 1995 em uma vala comum pela Associação Judaica Austríaca.

No dia seguinte ao massacre, Storms teria matado outro judeu com um tiro nas costas pelo fato de o prisioneiro estar exausto demais para continuar uma marcha até uma cidade próxima. Essa vítima pode ser crucial para o julgamento do acusado. O promotor Andreas Brendel afirmou que três ex-membros da Juventude Hitlerista que auxiliavam oficiais da SS na marcha deram depoimentos na Áustria. Para o caso do massacre, porém, não há testemunhas vivas e a Promotoria terá de trabalhar apenas com depoimentos escritos de outros julgamentos envolvendo membros da Juventude Hitlerista. A corte de Duisburg agora decidirá se leva adiante o julgamento de Storms com o material que já recolheu.

Segundo autoridades, Storms, hoje aposentado, é morador da cidade de Duisburg, oeste da Alemanha, e teria ficado detido em um campo de prisioneiros depois da guerra até ser libertado em 1946.

A imprensa local afirmou que o acusado era integrante da 5ª Divisão da SS e teria mudado a grafia de seu nome, talvez para não ser localizado. O nome do suposto sargento da SS não aparecia nem mesmo na lista dos nazistas mais procurados por crimes de guerra do Centro Simon Wiesenthal.

"Ele não estava no nosso radar e esse é um caso que mostra claramente que ainda é possível identificar responsáveis por crimes sérios cometidos durante a 2ª Guerra e levá-los para a Justiça", disse Efraim Zuroff, líder da entidade.

Storms foi identificado pelo estudante Forster enquanto ele investigava o massacre. A certeza sobre a identidade do acusado veio depois da obtenção de arquivos da Alemanha que confirmavam o envolvimento de Storms nas mortes. O professor de Forster, Walter Manoschek, disse que visitou Storms em sua residência várias vezes entre julho e setembro de 2008, após as autoridades terem sido notificadas.

"LÚCIDO"

Manoschek contou que Storms tem a saúde um pouco debilitada, embora pareça estar "muito lúcido". O suspeito deu 12 horas de entrevista para o professor na qual diz não ter lembrança alguma de seu envolvimento no massacre.


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