Negociadores tentam 'esquentar' COP-18
Conferência do clima da ONU que será aberta nesta segunda-feira, 26, no Catar, é uma reunião intermediária e, por isso, não são esperadas grandes decisões
A conferência do clima das Nações Unidas (COP-18) começa nesta segunda-feira, 26, em Doha, no Catar, com o desafio de superar a impressão de que será uma reunião morna - a despeito do clima desértico do país anfitrião.
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Como reunião intermediária, não se espera dela nenhuma grande decisão, mas negociadores e ambientalistas enfatizam que é hora de implementar uma série de pontos a fim de garantir que a agenda de um novo acordo climático, estabelecida no ano passado, possa ser cumprida.
Na COP-17, em Durban (África do Sul), em uma virada considerada histórica, os 192 países-membros da Convenção do Clima - incluindo Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases-estufa - concordaram que em 2015 o mundo tenha um novo tratado de combate às mudanças climáticas, válido a partir de 2020. Pela primeira vez, todos os países, ricos e pobres, terão metas de redução das emissões de gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).
Paralelamente, para que o mundo não ficasse sem nenhuma regra sobre as emissões, alguns países comprometidos com o Protocolo de Kyoto concordaram em estendê-lo a partir de 2013. O acordo global, aprovado há 15 anos com metas obrigatórias de redução só para os países desenvolvidos (exceto os EUA, que nunca o ratificaram), expira em 31 de dezembro deste ano.
É em Doha, portanto, que esses planos têm de começar a ganhar forma. Para que a segunda fase de Kyoto entre em vigor em 1.º de janeiro de 2013, explica o negociador-chefe do Brasil na COP, embaixador Luiz Figueiredo Machado, é preciso definir as novas regras. Por exemplo: de quanto será a meta de cada país - algo que, segundo ele, já está mais ou menos definido - e por quanto tempo, se até 2017 ou até 2020.
"O segundo período de compromisso de Kyoto está praticamente pronto para ser adotado, mas ainda falta adotar, então até o final há riscos de se reabrir a discussão. Mas é um ponto fundamental. Se nem isso entrar em vigor, o resto fica comprometido", diz Figueiredo.
Discussões
Outra questão a ser resolvida é a do chamado grupo de trabalho de cooperação de longo prazo, criado em 2007 na COP de Bali e que deixa de funcionar no final deste ano. Ele trata de assuntos como propriedade intelectual para novas tecnologias de combate à mudança do clima e fontes de financiamento. É preciso fechar alguns desses pontos ou decidir como eles serão tratados daqui para frente.
Tudo isso vai preparar o terreno para que a partir do ano que vem o novo tratado comece a ser desenhado e possa ser fechado em 2015.
"Uma boa decisão, por exemplo, seria dizer quanto o mundo inteiro tem de reduzir das emissões globais totais", opina Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF-Brasil.
As emissões só têm subido. Na quarta-feira, a agência de ambiente da ONU (Pnuma) lançou um relatório que mostra que as emissões globais estão 14% acima do que deveriam estar em 2020. A meta visava a limitar o aumento da temperatura em 2ºC até o final do século. Mas, se nada for feito, poderemos chegar a 4ºC ou 5ºC mais quentes.
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