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No Egito, Obama pede apoio a islâmicos

Líder defende hoje estratégia para Afeganistão, Iraque e toda a região

04 de junho de 2009 | 0h 00
Gustavo Chacra - O Estadao de S.Paulo

Depois de meses de preparação, o presidente dos EUA, Barack Obama, discursa hoje na Universidade do Cairo com o objetivo de melhorar a imagem americana no mundo árabe e islâmico. Obama também delineará os planos de seu governo para os principais conflitos do Oriente Médio e da Ásia Central, em temas que vão da criação de um Estado palestino às operações na fronteira do Afeganistão com o Paquistão.

Na viagem que começou ontem na Arábia Saudita, berço do islamismo, Obama se reuniu com o rei Abdullah (mais informações nesta página). Hoje ele desembarca no Egito, onde se encontrará com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, encerrando um ciclo de reuniões com líderes da região. O rei Abdullah, da Jordânia, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o premiê de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, visitaram a Casa Branca nas últimas semanas.

A estrutura do discurso foi revelada por Ben Rodhes, principal redator dos pronunciamentos do presidente, já em Riad. "Obama tocará diretamente em visões equivocadas e em diferenças que emergiram entre os dois lados (americanos e muçulmanos), salientando a necessidade de nos conhecermos melhor", disse o redator. "Ele discutirá a relação entre o Islã e os EUA, com um enfoque na contribuição de muçulmanos americanos."

Mas, segundo Rodhes, "o que ele realmente abordará será uma série de tópicos da agenda (da política externa americana)". Ele listou os principais pontos do discurso: "A violência de extremistas; o conflito no Afeganistão e Paquistão, e o que fazemos lá; o Iraque, tanto o que fizemos até agora quanto o que faremos no futuro; o conflito entre israelenses e palestinos. Obama discutirá, com alguns detalhes, sua visão sobre o conflito israelense-palestino e o que precisa ser feito."

O redator acrescentou que o presidente deve também tocar em temas como a democracia e os direitos humanos - questão incômoda no Egito, onde Mubarak é acusado de abusos. Em artigo publicado no New York Times, Ayman Noor, principal líder da oposição laica no Cairo, escreveu que "está alarmado com sinais de que o apoio de Obama à democracia diminuíram".

ITINERÁRIO

No Cairo, hoje, muitas ruas estarão fechadas pela polícia. O temor maior é de que haja alguma tentativa de atentado.

Recentemente, ocorreram ataques em Khan al-Khalili, tradicional mercado da cidade. No entanto, ontem, o aeroporto não tinha nenhuma medida especial de segurança. A preocupação maior ainda era com a entrada de pessoas infectadas pelo vírus H1N1.

A Universidade do Cairo, local escolhido para o discurso, fica em uma região não muito distante do centro da capital egípcia. Todas as aulas foram suspensas.

Está previsto ainda que Obama visite as pirâmides e a Mesquita de Al-Azhar, a mais importante da cidade e ligada à Irmandade Muçulmana, organização islâmica ultraconservadora e extremamente popular no Egito. O grupo radical palestino Hamas foi fundado por membros da Irmandade, que ainda exerce forte influência entre palestinos e em outras partes do mundo islâmico.