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No rastro da crise, estilo volta a reinar absoluto

O que mudou no mundo fashion, nas passarelas e fora delas, nem todas positivas, como a cisão de grifes nacionais de peso

29 de dezembro de 2009 | 0h 00
Lilian Pacce, ESPECIAL PARA O ESTADO - O Estadao de S.Paulo

A última notícia da moda em 2009 que ganhou manchetes pelo mundo não veio de nenhuma passarela e sim de um hospital em Boston (EUA): nasceu Benjamin, primeiro filho de Gisele Bündchen. A ubermodel gaúcha sempre declarou sua vontade de ser mãe - desejo finalmente realizado em 8 de dezembro último. E neste ano a vida de Gisele mudou de verdade. Tanto que ela até ganhou fortes concorrentes. Jesus Luz, que mais parecia um affair sem consequências na vida de Madonna, ganhou status de top e dividiu as atenções da passarela da Colcci, na temporada primavera-verão 2009/10, num duelo literalmente corpo a corpo com Gisele. E do SPFW Jesus conquistou o mundo da moda, fazendo desfiles e campanhas internacionais - quase sempre de amigos de Madonna, é bem verdade, como a dupla Dolce&Gabbana e Riccardo Tisci da Givenchy...

Fora das passarelas, Gisele também enfrentou concorrência mais velha e mais corpulenta: Michelle Obama. Desde a cerimônia de posse em janeiro, a primeira-dama dos Estados Unidos mostrou que assumiria o cargo imprimindo um novo estilo ao dress code da Casa Branca. Logo de cara, ela escolheu dois jovens e conceituais estilistas: Jason Wu e Isabel Toledo. E desde então tem circulado com o look que mais gosta: vestido e casaco pelo joelho, criando um novo tailleur. Ninguém imaginava também que Michelle seria capaz de ofuscar outra top: a italiana Carla Bruni-Sarkozy desde 2008, quando se casou com o presidente da França.

Ou seja, 2009 provou que estilo é algo mais forte do que moda e beleza juntas. Aliás, o ano deu muitas provas disso. Mesmo que os novos filmes e séries de TV sobre Coco Chanel não sejam grande coisa, eles chegaram no momento certo já que Chanel é o ícone mor deste conceito. Ela dizia: "A moda passa, o estilo fica." E por que será que o estilo voltou às paradas? Imagino que seja o lado bom das consequências da crise que desabrochou no fim de 2008. Com o murchar da bolha de consumo, valores mais permanentes e consistentes vieram à tona, deixando os excessos em segundo plano.

Mas crise também gera crise. Depois do sucesso das vendas e fusões de 2008, vieram as cisões. Dois grandes estilistas brasileiros deixaram as marcas fundadas por eles: Tufi Duek saiu da Forum e Triton e Amir Slama, da Rosa Chá que contratou Alexandre Herchcovitch com diretor criativo. Nas marcas de Tufi, os assistentes assumiram o bastão: Eduardo Pombal e Karen Fuke, respectivamente.

E se o fast fashion atrai a elite fashion no mundo todo faz tempo, por aqui esse movimento finalmente começou. Reinaldo Lourenço foi o primeiro contratado marcando a nova estratégia da C&A, que depois trouxe o próprio Amir para assinar uma linha de moda praia e Isabela Capeto com a infantil. Lá fora, Stella McCartney fez coleção especial pra Gap Kids, Jil Sander pra japonesa Uniqlo (que abriu em Paris arrasando quarteirão, com longas filas), Matthew Williamson para a H&M e até as irmãs gêmeas Olsen pra rede Wal-Mart!

Entre as perdas notáveis do ano, o estilista e fundador da Blue Man, David Azulay - referência em moda praia made in Brazil - , e o polêmico Clodovil Hernandes, que há muito havia transferido suas agulhas do ateliê couture para o Congresso Nacional, onde exercia mandato de deputado federal. Lá fora, sentimos a morte do grande fotógrafo Irving Penn, que ensinou essa arte a tantas gerações. E de Michael Jackson que, como o ano pede, se tornou um dos maiores ícones de estilo de todos os tempos e estava prestes a se reinventar. Por 2009, "this is it"!