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No reino de Ayrton, Bruno Senna tenta dar volta por cima

Sobrinho do maior mito do automobilismo nacional diz temer desonrar [br]sobrenome e espera evolução do carro

13 de maio de 2010 | 0h 00
Livio Oricchio, ENVIADO ESPECIAL / MÔNACO - O Estado de S.Paulo

Cinco etapas disputadas. Bruno Senna terminou duas, 16.º na Malásia e na China. Sua equipe, a estreante Hispania, tem o carro mais lento da Fórmula 1. Hoje, nas duas sessões de treino livre do GP de Mônaco, bem como amanhã, na classificação, e domingo, na corrida, Bruno tentará aproveitar as características bem particulares da pista para tentar obter uma melhor colocação. É difícil para quem acompanha a competição há algum tempo ver o sobrenome Senna sempre no fim do grid e nas últimas colocações nas corridas.

"Se eu achar que não estou honrando meu sobrenome ficaria louco. Claro, as pessoas vão lembrar do que o Ayrton fazia, mas vivo uma realidade totalmente diferente", diz o sobrinho de Ayrton Senna nessa entrevista exclusiva ao Estado.

Ayrton venceu seis vezes a prova nas ruas do Principado. O que se questiona é, se com o equipamento de que dispõe, Bruno poderá mostrar sua capacidade.

"Com meu carro não vai dar para fazer nenhuma grande ultrapassagem, nada espetacular. Mas dentro da F-1 há muita propaganda boca a boca", explica Bruno. "Se dentro da minha equipe eu fizer meu trabalho bem feito, for mais rápido que o meu companheiro, muita gente vai ficar sabendo", afirma. "O Fernando Alonso começou na Minardi, também não teve como mostrar seu talento."

Até agora a disputa com Karun Chandhok, seu companheiro, por melhores colocações no grid, está 3 a 2 para Bruno. "É frustrante não poder demonstrar o meu potencial, as pessoas nos julgam pelos números, sem levar em consideração os recursos que você tem", conta Bruno, com discernimento pouco comum na F-1.

"Aqui em Mônaco, por exemplo, tem gente que acha que hoje, com nosso carro, dá para sair na chuva em último e terminar em primeiro. A F-1 é outra daqueles tempos", diz. "Não é mais como na época do Ayrton, que ele podia colocar 2 segundos no companheiro. Atualmente, se for mais de meio segundo é porque o carro teve problemas. Está tudo muito mais nivelado."

Essa situação de não poder fazer quase nada pelo fato de o modelo da Hispania ser impressionante 7seg127 mais lento que o pole position, como ocorreu domingo no Circuito da Catalunha, pode colocar em xeque até mesmo o futuro de Bruno na F-1. Basta a informação de que realiza um bom trabalho, apesar dos resultados, não chegar aos demais chefes de equipe. "Estou preocupado, lógico. Há esse risco. Mas há muita corrida ainda pela frente e acredito que, com a esperada evolução do nosso carro, eu possa provar que tenho bem mais potencial."

O experiente Geoff Willis, diretor técnico que assumiu a equipe na abertura da temporada, no GP de Bahrein, tem um reprojeto pronto do equivocado modelo da Hispania, concebido pela Dallara, na Itália. Se a equipe realizar o investimento necessário, o salto será grande. "Estrearíamos no GP da Grã-Bretanha (10.º do calendário, dia 11 de julho)", diz Bruno. Ele torce para o projeto sair do papel.

Bruno não confirma, mas sabe-se, por exemplo, que a Hispania tem apenas um bico para os dois carro em Mônaco. Se os dois baterem, um não disputa a prova, o que impõe que corram bem menos riscos e, claro, sejam mais lentos, para se ter uma ideia das dificuldades de Bruno e Chandhok.


PÉSSIMO COMEÇO

Bahrein. Bruno larga em penúltimo, tem problemas hidráulicos e abandona por quebra de motor

Austrália. Deixa a prova na 16ª volta, por problemas hidráulicos

Malásia. Enfim, completa uma corrida e chega em 16º

China. Corre com novo motor e cruza de novo em 16º

Espanha. Após bela largada, perde o controle do carro na curva 4, acerta levemente a barreira de pneus e abandona a prova

ACELERADAS

Otimista

Felipe Massa acredita em uma recuperação. As equipes já nos treinos livres de hoje começam a usar os dois tipos de pneus que foram utilizados no GP do Bahrein, em que a Ferrari realizou grande corrida. "Isso me dá tranquilidade. Sempre tive um carro fácil de guiar, fazia o que queria, mas quando começamos a usar os pneus mais duros meus problemas começaram."

Cuidado na pista

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) resolveu aumentar os obstáculos após as zebras nas duas chicanes de Mônaco, para que os pilotos não conseigam "cortar" caminho para ganhar tempo. O artifício já foi usado em Barcelona, Monza e Nurburgring.

Sem favoritismo

Massa acha difícil a Red Bull ter agora a mesma vantagem que conquistou na Espanha. "Na classificação eles foram quase um segundo mais rápidos, é uma diferença grande, não acredito nisso aqui em Mônaco", falou. "Esta pista é única. Tradicionalmente os tempos são muito próximos", disse Mark Webber, vencedor na última prova.


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