Notícias dos EUA e da Grécia animam fórum
Crescimento de 2,8% da maior economia do mundo e proximidade de acordo da Grécia com credores são destaques
Duas boas notícias para um mundo em crise foram divulgadas na sexta-feira: o crescimento da economia americana - 2,8% anualizados, no último trimestre - e a conclusão próxima da negociação entre a Grécia e os bancos credores. A novidade ruim, o rebaixamento de Itália e Espanha pela agência Fitch, no fim do dia, veio sem grande surpresa e pouco acrescenta à decisão anunciada recentemente e sem efeito no mercado pela Standard & Poor's.
Os Estados Unidos poderiam crescer mais velozmente se os europeus cuidassem mais prontamente de sua crise, disse ontem de manhã o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, numa sessão do Fórum Econômico Mundial. A expansão, segundo ele, é razoável, diante dos estragos causados pela crise. Mas a solução do problema europeu depende da restauração da confiança, e isso envolve o acerto da situação grega, havia dito pouco antes, em outra sessão, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble.
A novidade animadora sobre a Grécia foi anunciada pelo comissário da União Europeia para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn: um acordo entre as autoridades gregas e os bancos para redução da dívida estaria muito próximo e poderia ser alcançado ainda em janeiro. "Os próximos três dias serão cruciais para os próximos três anos", disse o comissário.
Se o corte for acertado como pretendem as autoridades gregas e europeias, será possível diminuir a dívida para 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. Pela trajetória estimada no começo deste ano, a proporção subirá de cerca de 143% para 186% em 2013 e em 2020 ainda estará em 152%.
Ontem à tarde, em Atenas, o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, deveria retomar a negociação com o representante dos bancos, Charles Dallara. De manhã, numa entrevista em Davos, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, cobrou dos credores uma oferta melhor de redução da dívida.
Mas o acordo sobre a dívida grega servirá para eliminar ou atenuar apenas um dos focos de tensão e de insegurança para o sistema financeiro e os demais governos endividados. A diretora-geral do FMI continua pressionando os governos das maiores economias da zona do euro para reforçar o fundo de resgate e estabelecer um sistema de responsabilidade fiscal partilhada, por meio da emissão de um eurobônus ou algo semelhante.
Recomendações semelhantes foram apresentadas na quinta-feira pelo primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e ontem pelo secretário do Tesouro americano.
Resistência. O governo alemão continua rejeitando tanto a proposta de pôr mais dinheiro no fundo de estabilidade - além do já prometido - quanto a ideia de emissão de um título de responsabilidade compartilhada, como o eurobônus. Seria, segundo ele, um incentivo à irresponsabilidade fiscal, em vez de uma ajuda aos governos endividados.
Schaeuble também se opõe à realização de maiores gastos públicos para estimular a retomada do crescimento. Segundo ele, o aumento do déficit produziria o efeito contrário, dificultando a expansão econômica e a criação de empregos.
Tim Geithner e Christine Lagarde têm defendido uma estratégia diferenciada: ajuste severo para os países sem espaço fiscal e mais lento para os países com alguma folga, para poderem recorrer a medidas de incentivo.
A ideia aplica-se obviamente à Alemanha e à França. Esses países poderiam dar algum impulso aos demais, mas o governo alemão resiste. Na Alemanha, disse Schaeuble, a redução do déficit público tem tornado os agentes privados mais confiantes, facilitando a expansão dos negócios.
Medidas críveis de longo prazo, segundo os europeus, podem fortalecer a confiança dos mercados, com efeitos benéficos a curto prazo. Uma dessas medidas pode ser o novo pacto fiscal, ponto principal da agenda da reunião de cúpula da próxima segunda-feira. Mas os mercados ainda poderão esperar medidas mais fortes de curto prazo, como o fortalecimento do fundo de estabilidade.
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