Novo ataque contra cristãos deixa 10 mortos na Nigéria
Onda de atentados promovida pelos radicais islâmicos do Boko Haram matou mais de 170 pessoas em 48 horas
A onda de violência continuou ontem na Nigéria com a morte de mais dez pessoas em um novo ataque contra cristãos no norte do país, 48 horas após uma série de ataques sangrentos deixarem 166 mortos em Kano, segunda maior cidade nigeriana.
Ontem, em Tafawa Balewa, Estado de Auchi, um grupo de terroristas lançou granadas artesanais em casas, surpreendendo os moradores enquanto dormiam, segundo o líder da etnia sayawa, que faz parte da comunidade cristã atacada.
"Várias pessoas morreram nas explosões. Outras foram assassinadas com tiros de armas automáticas enquanto tentavam fugir", disse o responsável, que acusou os hausa-fulani, etnia muçulmana, pelo ataque. "Na troca de tiros, um policial, um soldado e oito civis não identificados morreram, atingidos por balas perdidas", afirmou Mohamed Barau, porta-voz da polícia. Segundo ele, seis suspeitos foram detidos.
A cidade de Tafawa Balewa está localizada na linha de divisão entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, cristão. No ano passado, confrontos sectários deixaram mais de 500 mortos em todo o país.
Os ataques contra cristãos são reivindicados pelo grupo islâmico Boko Haram, que defende o estabelecimento da sharia (lei islâmica) na Nigéria. O grupo, que em idioma hausa, falado no norte do país, significa "A educação ocidental é pecado", tem aumentado suas ações violentas nos últimos dias para tentar desestabilizar o governo.
Ontem, o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, fez uma rápida visita a Kano. "Um ataque terrorista contra uma pessoa é um ataque contra todos nós", afirmou o presidente, que inspecionou os locais que foram alvo da violência e prometeu ampliar a segurança na região.
O governo, que decretou toque de recolher total na cidade, aliviou a medida ontem, levando em conta o "relativo retorno à calma" - ele vigora agora do início da noite até o amanhecer.
Reação. Ontem, Alemanha, Grã-Bretanha e França condenaram a violência na Nigéria. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também repudiou as ações, dizendo-se "horrorizado" com a onda de ataques sangrentos em Kano
Segundo seu porta-voz, Martin Nesirky, "Ban condena, nos termos mais enérgicos, os ataques coordenados ocorridos na cidade de Kano", disse, em comunicado. "O secretário-geral está horrorizado com o número e a intensidade dos recentes ataques na Nigéria, que mostram um desprezo inaceitável pela vida humana." / REUTERS, AFP e AP
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