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O coronelismo do clã Coelho

Titular da Integração, Fernando Bezerra Coelho, é de uma das oligarquias mais longevas do Nordeste, cujo sobrenome está espalhado por toda Petrolina; coronel Quelê, avô do ministro, é visto como um dos responsáveis por industrialização da região

15 de janeiro de 2012 | 3h 11
JULIA DUAILIBI - O Estado de S.Paulo

Em Petrolina, maior cidade do sertão pernambucano, há um parque que se chama Josefa Coelho. Também tem um bairro com o nome de Gercino Coelho e uma escola de segundo grau, a Clementino Coelho. O aeroporto foi batizado de Senador Nilo Coelho, mesmo nome da Orquestra de Câmara e Coro de lá.

O estádio municipal, palco dos jogos do Petrolina e do 1.º de Maio, chama-se Paulo Coelho, mas não guarda nenhuma relação com o escritor brasileiro.

O Paulo Coelho de Petrolina é Paulo de Souza Coelho, pai do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra de Souza Coelho, que, assim como foram Josefa, Gercino, Clementino e Nilo, é integrante de uma das oligarquias políticas mais longevas do Nordeste, a dos Coelho.

O ministro e seu irmão Clementino de Souza Coelho, que até a semana passada era presidente interino e diretor da Área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), são da família que administra por quase 50 anos ininterruptos a cidade de 300 mil habitantes, considerada a principal economia do interior de Pernambuco e importante polo exportador de frutas.

Os dois são filhos de Paulo de Souza Coelho e netos de Clementino Coelho, conhecido como Coronel Quelê, figura lendária do sertão nordestino que criou 17 filhos e um império econômico que hoje abrange fazendas, indústrias e meios de comunicação pelo Nordeste.

Considerado um dos responsáveis pela industrialização de Petrolina, o Coronel Quelê inspirou livros - Coronel Quelê, Adversidade e Bonança, de José Américo de Lima, e Quelê, o Gigante do São Francisco, de José Nivaldo Júnior - e até tese de doutorado, como As práticas do coronelismo: estudo de caso sobre o domínio político dos Coelho em Petrolina, de José Morais de Souza, da Universidade Federal de Pernambuco.

Política. Assim como outras oligarquias brasileiras, a família Coelho migrou dos negócios para a vida pública. Logo se alinhou ao regime militar.

O primeiro a entrar na política foi Nilo Coelho, um dos filhos do Coronel Quelê e, portanto, tio do ministro da Integração Nacional. Ele foi deputado estadual, nomeado governador biônico de Pernambuco pelo regime militar e eleito senador. Chegou a presidir o Senado em 1983.

Outros tios de Fernando Bezerra também seguiram a carreira política e viraram parlamentares, como Oswaldo Coelho (DEM), ex-deputado federal. O ministro, no entanto, rompeu com a corrente política da família que, com a redemocratização, passou a integrar o antigo PFL. Flertou com a esquerda ao se aproximar do socialista Miguel Arraes, que em 1986 se elegeu governador de Pernambuco.

Foi prefeito de Petrolina três vezes, passando pelo PMDB, PPS e pelo atual PSB.

Fernando Bezerra é hoje um dos principais aliados do governador Eduardo Campos, neto de Arraes, responsável por sua indicação para o cargo. É uma carta na manga do governador para, inclusive, disputar a Prefeitura de Recife nas eleições deste ano.

O Estado revelou há dez dias que o ministro destinou para Pernambuco, sua base eleitoral, 90% das verbas de prevenção e preparação de desastres naturais, como enchentes e desmoronamentos.



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