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O louco Twisted Sister 25 anos depois

Grupo que já teve o Metallica como banda de abertura vem ao País para provar que foi a ponte entre o glam rock e o hair metal

20 de outubro de 2009 | 0h 00
Marco Bezzi - O Estadao de S.Paulo

No início da década de 80, para boa parte dos pais americanos, Dee Snider, o vocalista do Twisted Sister, era a figura mais perigosa do universo. O grupo constava de uma lista produzida pelo Senado americano, em que 15 bandas deveriam ser proibidas de ter suas músicas executadas em rádios e TVs. Insatisfeito com a censura, Snider foi nomeado por sua classe a ir defender o heavy metal na corte diante de nomes como Tipper Gore, esposa de Al Gore. Chegou de jeans e jaqueta, com o cabelão dourado e bufante e abalou os senadores com sua retórica perfeita. Mesmo assim, o grupo que teceu sucessos como We"re Not Gonna Take It e I Wanna Rock pagou o seu preço.

"Éramos uma das maiores bandas de heavy metal no mundo na época e, consequentemente, eu era uma das pessoas mais conhecidas", falou Dee Snider, hoje com 55 anos, por telefone ao Estado. "Quando fui para Washington, pensei que seria uma grande oportunidade para lutar a favor do metal, seria o cara que levantaria a bandeira e que todos me seguiriam. Ninguém me seguiu, me abandonaram e eu fiquei sozinho nessa empreitada contra a censura. Acabei virando um alvo do governo. Checavam minhas correspondências, grampearam meu telefone, e shows da minha banda foram cancelados."

A figura, que ainda mantém o mesmo cabelo e visual exagerado, estará tocando pela primeira vez no Brasil, dia 14 de novembro, no Via Funchal (tel. 2144-5444), em São Paulo. Primeira vez? O vocalista esteve no País em 1984 para promover o disco Stay Hungry, o maior sucesso da discografia do grupo. "Isso foi antes do Rock in Rio, antes das bandas americanas começarem a fazer turnês pelo Brasil. Acabamos em 1987 e só voltamos em 2002, para homenagear as vítimas do 11 de Setembro. Não tivemos a oportunidade de tocar antes no Brasil."

O retorno, que seria apenas para aquela data, continua até hoje. "Minha maior motivação para essa reunião era tornar a relação da banda melhor. Viramos inimigos no final. A melhor maneira de reconstruir nossa amizade foi fazendo shows, mas não esperava que durasse tanto tempo, não é isso que quero da minha vida", revela. O vocalista possui um programa de rádio há 13 anos nos Estados Unidos e escreve para a televisão e cinema. No momento, produz um filme do filho. "O Twisted Sister é um hobbie. Fazemos 25 shows por ano e nunca entramos em turnês, são apresentações esporádicas."

Snider tem quatro filhos crescidos e é casado com a mesma mulher, Suzette, há 33 anos. "Nunca me enquadrei naquele estereotipo do roqueiro drogado e muito louco. Queria ter uma família, ser saudável, ter uma vida pessoal fora da banda. Sempre fui discriminado entre bandas como Mötley Crue, Cinderella, Poison. Dou risada quando leio a biografia deles. É tudo tão previsível. Eles precisam saber que fomos nós quem inventamos o hair metal", exclamou Snider.

Para isso, pretende lançar um documentário da banda. "Surgimos em 1976 e assinamos nosso primeiro contrato em 1981, na Inglaterra, antes dessa onda de hair metal toda existir. Bandas como Motörhead e Saxon dominavam. Depois, todos copiaram nosso estilo. Tocávamos cinco vezes por semana para milhares de adolescentes. Bandas como Bon Jovi, Cinderella e Poison, foram nos assistir para aprender."

Nessa época, uma banda novata vindo de São Francisco foi abrir um show para o Twisted Sister, em New Jersey. Era o Metallica no início de carreira, ainda com Dave Mustaine na guitarra. "Não tive tempo para falar com eles porque tinha de me maquiar para o show. Mais tarde, encontrei o (baterista do Metallica) Lars Ulrich na Europa, que me lembrou disso."

A maquiagem e as roupas extravagantes são um capítulo à parte da banda. Formada no início da década de 70, o grupo cresceu junto ao estouro do glam rock junto a nomes como David Bowie, Alice Cooper e New York Dolls. Com a entrada de Snider na banda, em 1976, o visual ganhou ainda mais camadas e texturas. "No primeiro encontro que tive com a minha mulher, vi o vestido dela e amei. Perguntei para ela aonde ela havia comprado, peguei um igual e vesti em um show. Coincidentemente, ela estava com aquele mesmo vestido e se sentiu humilhada. Nunca mais me deixou escolher minhas roupas, maquiagens e corte de cabelo."

Desde essa época, era Snider quem escrevia os roteiros para os videoclipes da banda. Os de We"re Not Gonna Take It e I Wanna Rock ganharam a participação do ator Mark Metcalf, do filme Clube dos Cafajestes, que fazia um pai revoltado com o rock. "Para mim, ele era uma estrela. Mas, por US$ 1 mil e um par de ingressos para o nosso show, ele aceitou o convite."



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