O pequeno Delúbio e os grandes empresários
Dono de empresa de anúncios, ele discursou sobre comércio Brasil-China
EM BUSCA DE ESPAÇO - Cada vez mais ativo na política goiana, Delúbio Soares é um dos artífices da aliança do PT com o PMDB local
Primeiro ele submergiu. Falava com poucos e não era visto em público.
Depois, discretamente, começou a costurar seu retorno aos bastidores da política. Agora, Delúbio Soares, o tesoureiro do mensalão do PT, volta a dar as caras também no meio empresarial, onde fez sucesso como arrecadador da campanha vitoriosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
Na última quinta-feira, o Delúbio pós-mensalão deixou de lado seu figurino predileto - camisa Lacoste, calça jeans, tênis e bolsa de couro a tiracolo - e reincorporou o Delúbio de oito anos atrás. Metido num terno cinza escuro bem cortado, credencial pendurada no pescoço, ele era estrela numa reunião de empresários de sucesso em Goiás, sua terra natal.
O encontro, organizado pela Câmara de Comércio Americana (Amcham), se deu num hotel de luxo de Goiânia. Destinava-se a ouvir o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, que foi falar de oportunidades de negócio entre os dois países.
Delúbio ouvia tudo atentamente. Entre observações sobre exportação da soja goiana e importação de tratores chineses, o ex-tesoureiro petista até pediu a palavra. Enalteceu os esforços do governo Lula para ampliar o comércio com os chineses e lembrou que em 2004 - antes de ganhar a ribalta como personagem do maior escândalo da história do PT - esteve na China integrando missão oficial do governo brasileiro.
Mas o que, afinal, estaria fazendo Delúbio num encontro de homens de negócio? "Ele foi convidado, como empresário goiano", responde de pronto uma das organizadoras. Empresário? "A empresa dele é a Geral Imóveis." A Geral, fundada em 2007, funciona numa galeria comercial de Goiânia e seu principal negócio - bem mais acanhado que os negócios dos demais convidados - é publicar anúncios imobiliários na internet.
A amigos mais próximos, o ex-tesoureiro do PT tem dito que está pronto para ajudar na campanha de Dilma Rousseff à Presidência. Cada vez mais ativo na política goiana, onde é um dos artífices da aliança do PT com o PMDB local, ele quer recuperar espaço também na cena nacional. Mesmo fora do partido, se diz petista de coração. E, por onde anda, não perde a oportunidade de exaltar o governo do PT - e de defender a continuidade do que chama de "nosso projeto".
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