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O taco literário de William Kennedy

Tradução de O Grande Jogo de Billy Phelan põe em evidência o autor americano, que fala ao Estado sobre sua obra

06 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Antonio Gonçalves Filho - O Estadao de S.Paulo

Dizem, com razão, que o escritor norte-americano William Kennedy colocou sua cidade natal, Albany, no mapa mítico da América como a "capital nacional da memória". De fato, seu Ciclo de Albany, série de sete livros iniciada com Legs (1975), a história do gângster Legs Diamond (1897-1931), é um monumento literário sobre os EUA, da Grande Depressão em diante. Em Legs, a família que dá origem à saga dos Phelan ainda não aparece. Ela surge em O Grande Jogo de Billy Phelan (Cosac Naify, tradução de Sergio Flaksman, 344 págs., R$ 55) e segue em cinco livros, que introduzem representantes daquela família, marcada pela tragédia desde a obra inaugural - em que Billy Phelan, jogador endividado, cai em desgraça ao hesitar servir de informante sobre o sequestrador do primogênito da família McCall.

Inspirado no político democrata Dan O"Connell, que assumiu a prefeitura de Albany em 1921, quando a cidade era dominada por gângsteres, Patsy, o patriarca da família McCall, controla a política e as casas de jogos da cidade. A história se passa em 1938 e narra os esforços do jornalista Martin Daugherty, amigo dos McCall, para convencer Billy, um sujeito independente, a denunciar o suspeito do sequestro.

Em entrevista ao Estado, por telefone, de Albany, William Kennedy falou desse e de outros livros de sua série ficcional, que ainda não terminou. Aos 82 anos, o escritor prepara um outro romance, sobre o filho de Daugherty. Projetado como um mosaico sobre a história de sua cidade, o ciclo pretendia contar a história de Albany desde os primeiros colonizadores holandeses, mas Kennedy decidiu concentrar seus esforços na história da família Phelan. Ironweed, com o qual ganhou o prêmio Pulitzer em 1984, deve chegar às livrarias ainda no primeiro semestre pela mesma editora. O romance conta a história do pai de Billy, Francis Phelan, que se entrega ao álcool e vira um vagabundo depois de deixar seu filho bebê cair do berço. Kennedy fala sobre a gênese do ciclo na página seguinte.