Obama nega barganha com Rússia ao desistir de escudo antimísseis
Às vésperas da Assembleia-Geral da ONU, presidente dos EUA diz que possível apoio russo sobre Irã será 'bônus'
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou ontem que sua decisão de recuar na construção de um escudo antimíssil no Leste Europeu tenha sido para agradar a Rússia. O objetivo, segundo o chefe da Casa Branca, não era conseguir apoio de Moscou em outras iniciativas consideradas mais importantes, como acordos para o desarmamento e não-proliferação nuclear e possíveis sanções contra o Irã e a Coreia do Norte.
A afirmação foi feita à TV CBS, uma das cinco emissora às quais concedeu entrevistas ontem, em antecipação a seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, na quarta-feira. A presença do líder americano aumentou em 25% o número de jornalistas credenciados para a cúpula, e o total de chefes de Estado deve bater recorde.
Obama será a grande estrela da assembleia. Sua queda de popularidade nos EUA ainda não se refletiu no exterior, onde é um dos mais admirados presidentes americanos nas últimas décadas.
Com agenda cheia, Obama também presidirá, na quinta-feira, uma reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU que deve aprovar uma resolução a favor da não-proliferação nuclear. Além disso, o americano mediará um encontro, em Nova York, do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
Obama ainda estará presente em discussões sobre o clima, o Irã e a Coreia do Norte e, para completar, embarca na quinta-feira para Pittsburgh, onde participa de encontro do G-20.
"A Rússia sempre esteve paranoica, mas George W. Bush estava correto, não era uma ameaça contra eles", disse o presidente, em um raro elogio ao seu antecessor. Segundo Obama, sua missão "não era negociar com os russos". "Os russos não determinam qual deve ser a nossa política de defesa. Nós tomamos a decisão sobre a melhor maneira de proteger os americanos, nossas tropas na Europa e nossos aliados", disse.
"Se a consequência disso é a Rússia se sentir menos paranoica e disposta a trabalhar mais efetivamente conosco para lidar com o programa nuclear iraniano, então isso é um bônus", acrescentou. O programa iraniano devem ser o centro das discussões do CS.
Desde sexta, Obama vem sendo acusado de ceder a pressões russas. Diplomatas envolvidos nas negociações no CS dizem que o recuo na questão do escudo antimísseis teve como meta conseguir o apoio russo em outros pontos. Políticos republicanos o criticaram pela decisão. O Wall Street Journal escreveu editorial afirmando que Obama está perdendo aliados.
A proteção, que antes seria instalada na Polônia e República Checa, pretendia defender os EUA de possíveis mísseis intercontinentais do Irã. O novo sistema, instalado em navios, é adaptado a deter mísseis de curto e médio alcance.
LÍDERES POLÊMICOS
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deve ser um dos destaques do encontro em Nova York, mas pelo lado negativo. Jornais americanos especularam no fim de semana que Obama fará o possível para não se aproximar fisicamente do iraniano, evitando assim um involuntário aperto de mão.
Outro líder polêmico que confirmou presença na Assembleia foi o ditador líbio, Muamar Kadafi (leia nesta página). O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ainda faz suspense.
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