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Ocupação de favelas acirra guerra de facções

Unidades de Polícia Pacificadora diminuem áreas sob comando do crime, mas fazem crescer disputa por bocas de fumo em morros desocupados

19 de outubro de 2009 | 0h 00
Pedro Dantas, RIO - O Estadao de S.Paulo

A nova estratégia da Segurança Pública de ocupação permanente de favelas com a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) diminuiu as áreas sob comando do crime organizado e ao mesmo tempo acirrou os confrontos entre facções criminosas pelas bocas de fumo ainda disponíveis nos morros cariocas que não estão sob a ação das UPPs. As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também levaram mais policiamento às comunidades, dificultando a ação dos traficantes e fazendo com que procurem outros locais.

O tiroteio anteontem no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, zona norte, foi um capítulo mais grave das batalhas diárias travadas em toda as regiões.

O primeiro sinal de que as UPPs aumentariam a disputa pelos pontos de venda de drogas veio da zona sul, onde estão as favelas mais rentáveis para o tráfico. Em março, após a ocupação da Favela Santa Marta, em Botafogo, o gerente do tráfico local, Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, se aliou aos traficantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) na Rocinha para tentar tomar a Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, dos antigos aliados do Comando Vermelho (CV). A incursão fracassou e pelo menos dez comparsas de Mexicano foram mortos.

Na zona norte, os tiroteios entre criminosos do Morro dos Macacos, dominado pela ADA, e do Morro São João, controlado pelo CV, ocorrem desde os anos 90, mas se intensificaram nos últimos meses. Em setembro de 2008, a Delegacia de Combate às Drogas frustrou um plano de invasão idêntico ao colocado em prática na madrugada de sábado.

Liderados por Alexander de Jesus Carvalho, o Choque, cem homens do Complexo do Alemão, Mangueira, Manguinhos e Jacarezinho se preparavam no Morro São João para invadir o Morro dos Macacos quando foram flagrados e expulsos a tiros pela polícia.

Com Choque preso em outubro de 2008, o comando da invasão de anteontem coube a Fabiano Atanázio, o FB, que comanda o tráfico na Vila Cruzeiro.

De acordo com a Polícia Civil, o aval para as empreitadas sempre parte do traficante Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, mas atualmente fora do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Outra ordem de Marcinho VP, segundo o Serviço de Inteligência, foi a invasão de traficantes do Complexo do Alemão ao Morro do Juramento, no mês passado, que resultou em 12 mortes.

A disputa mais sangrenta ocorre hoje no Complexo da Maré. O conjunto de favelas na zona norte do Rio é dividido por três facções criminosas. Lá, os confrontos duram mais de quatro meses e 40 pessoas já morreram, de acordo com ONGs.

Enquanto isso, nas quatro Unidades de Polícia Pacificadora, que englobam cinco comunidades (Santa Marta, Batam, Cidade de Deus, Chapéu Mangueira e Babilônia), o clima é de convivência pacífica entre policiais e moradores, sem tráfico ostensivamente armado, permitindo que os moradores do asfalto voltem a conviver com a favela.