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Odebrecht recruta expatriados na Europa

Empresa quer atrair profissionais originários dos mercados onde atua

07 de maio de 2009 | 0h 00
Paulo Justus - O Estadao de S.Paulo

A crise econômica e o consequente desemprego despertaram o interesse dos trabalhadores latino-americanos residentes na Europa de voltar para casa. Um dos reflexos desse movimento foi a alta procura pelo programa de repatriação da construtora Norberto Odebrecht, realizado em Barcelona, na Espanha. Mais de 2 mil profissionais se inscreveram, entre setembro de 2008 e abril.

A cidade espanhola foi escolhida por concentrar o maior número de latino-americanos da Europa, originários dos mercados em que a construtora pretende atuar com mais mão de obra local.

Além de concentrar o maior número de imigrantes da América Latina, a Espanha também tem o maior contingente de desempregados da Europa. Em abril, o desemprego chegou ao nível mais alto desde 1996 no país ibérico e atingiu 3,6 milhões de pessoas. Desses, 500 mil são estrangeiros, em sua maioria latino-americanos.

Para Miguel Vieira, sócio da Elite Internacional Careers (EIC), empresa londrina que fez o recrutamento, o número de inscritos foi fortemente influenciado pela conjuntura econômica. "Certamente, a crise aumentou o interesse porque tem muito pessoal qualificado que perdeu emprego. Isso facilitou o acesso da Odebrecht a grandes profissionais."

Esse foi o primeiro programa realizado pela consultoria para a América Latina. Anteriormente, a EIC já havia feito projetos semelhantes para Angola, nos quais a Odebrecht participou em conjunto com outras empresas. A última seleção, feita em março, teve 6,3 mil candidatos inscritos.

O número expressivo decorre do perfil dos profissionais procurados, de nível técnico, e da quantidade de empresas que ofertaram vagas, 48 ao todo. "Desses inscritos, 630 passaram para a segunda etapa, em que foram feitas 2.250 entrevistas", diz Vieira.

A ideia para uma versão latino-americana surgiu da própria Odebrecht, que contatou a EIC em julho do ano passado. "Outras dez empresas iriam participar da seleção, mas desistiram depois do início da crise'', diz Vieira. Entre elas, estão a petroleira Chevron e as montadoras Toyota e Renault.

A Odebrecht continuou interessada porque mantém obras de infraestrutura que continuam em curso, mesmo durante a crise. A intenção da construtora é substituir a mão de obra expatriada por profissionais naturais dos países em que mantém operação. Com isso, pretende aumentar a identificação com as comunidades locais e economizar com os pagamentos adicionais aos expatriados.

Atualmente a construtora conta com 6,3 mil trabalhadores expatriados de 53 nacionalidades diferentes nos 20 países em que está presente. Todos recebem moradia, assistência médica, escola para filhos e viagens de volta para o país de origem que variam conforme o grau hierárquico.

Para o trabalhador, a repatriação é uma oportunidade de voltar para casa numa condição melhor da que está. "Há o apelo emocional, porque o profissional expatriado sempre pensa em regressar", diz o vice-presidente de Organização e Pessoas da construtora, Genesio Lemos Couto, responsável pelo recrutamento na Espanha. Couto fala com a experiência de quem trabalhou fora do Brasil durante 15 anos.

Em Barcelona, a Odebrecht ofereceu vagas para trabalhar na Argentina, Brasil, México, Panamá, Peru e na República Dominicana. Mesmo assim, recebeu inscrições de venezuelanos, colombianos e até de europeus. "Eliminamos os europeus, mas entrevistamos os latino-americanos de outros países, porque há possibilidade de serem contratados para projetos futuros", diz Couto.

De 24 a 26 de abril, a empresa entrevistou 164 candidatos que se enquadravam no perfil pretendido. "O expediente, que deveria terminar às 18 horas no último dia, terminou às 21 horas, por causa do volume de entrevistas", afirma Couto. A qualidade dos candidatos impressionou o executivo. Apenas dois não tinham pós-graduação ou MBA. A média de idade, de 34 anos, também se enquadrava dentro das expectativas da empresa.

Em maio, a Odebrecht deve convocar 20 profissionais para uma nova série de entrevistas, antes de confirmar a contratação. A maioria é de engenheiros, mas também há economistas, administradores e arquitetos. "Ainda temos outros 30 candidatos que não pudemos contratar imediatamente porque estão concluindo mestrado ou porque estão com contrato estabelecido temporariamente com outras empresas."

CONTINUAÇÃO

A EIC pretende fazer novos programas para repatriar latino-americanos no próximo ano. Um em Miami, nos EUA, e outro em Barcelona. "Com a melhora da economia, esperamos atrair o interesse de 10 a 15 empresas para o programa."


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