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Oficina, 50

Zé Celso comemora 50 anos de sua cia. com estreia de peça e sonho de novo teatro

08 de agosto de 2011 | 0h 00
Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo

Toda macumba tem um motivo, ensina José Celso Martinez Corrêa. Diz a tradição que o ritual está sempre ligado a um desejo não realizado. A algum presente que se quer ganhar. Macumba Antropófaga, espetáculo que entra em cartaz no dia 16, cumpre exatamente essa função. Comemora os 50 anos do Teatro Oficina. Mas serve, sobretudo, para lembrar tudo aquilo que o grupo ainda quer conquistar.

Macumba Antropófaga. No terreno de Silvio Santos  - Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Macumba Antropófaga. No terreno de Silvio Santos

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Não basta ter revolucionado os rumos do teatro brasileiro. Para sua festa ser completa, o Oficina quer mais. Já planeja um novo espetáculo, baseado em Bertolt Brecht. Lança os DVDs de suas últimas montagens. Tem dois livros no prelo para comemorar o aniversário. E continua de olho no terreno do vizinho.

"Com toda macumba você busca alguma coisa. A nossa é para conseguir o nosso teatro estádio. É um projeto que não é para mim. Eu tenho 74 anos. É algo que me transcende, é para a cidade. É para o processo de revitalização do Bexiga", comenta Zé Celso, diretor que foi um dos fundadores do Oficina, ao lado de Renato Borghi e Amir Haddad.

Em 1958, eles surgiram como grupo amador apresentando seu primeiro espetáculo. Três anos depois, em 16 de agosto de 1961, era o momento da profissionalização e da inauguração de sua primeira sede: um teatro na rua Jaceguai, no bairro da Bela Vista.

Lá se vai meio século. Mas, desde essa época, resistência já surgia como palavra a encabeçar o vocabulário desse grupo. Naquele distante 1961, foi preciso resistir ao fechamento da sede. Decretada logo no dia seguinte à sua abertura. Depois veio a ditadura militar. E, nas últimas décadas, uma queda de braço com o grupo Silvio Santos, contra a construção de um shopping center.

O final feliz nunca esteve tão próximo. Além de o teatro ter sido tombado como patrimônio histórico nacional, agora é o empresário quem diz que aceita trocar o terreno por outro em qualquer lugar da cidade.