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Olhar voltado para o concreto

As obras de Willys de Castro e de Mira Schendel são destaques no cenário atual, que vem também apresentando cada vez mais colecionadores jovens

20 de setembro de 2012 | 3h 08
CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo

'Concretos Paralelos': brasileiros e ingleses na Dan Galeria - Divulgação
Divulgação
'Concretos Paralelos': brasileiros e ingleses na Dan Galeria

Galeristas são sempre reservados para falar valores das obras dos artistas que comercializam. Como leilões são eventos públicos, é possível ter indícios de preços do mercado. Anteontem, à noite, no leilão realizado por James Lisboa em um espaço nos Jardins, além da cifra milionária alcançada pelo quadro de Portinari Colheita de Cacau (1948), foram disputadas também telas de Aldo Bonadei, Roberto Burle Marx e Mauricio Nogueira Lima, mas vamos falar de Willys de Castro, que representa agora a "vedete" do mercado de neoconcretos.

Duas peças do artista foram colocadas à venda - um de seus Objetos Ativos (expressão máxima da produção do neoconcretista), de 1965, alcançou R$ 170 mil; já um guache sobre papel sem título de 1954 (com a assinatura "Souza Castro" que ele usava na época), chegou a R$ 101 mil.

"Não que Willys de Castro estivesse apagado, mas em termos de mercado há uma descoberta do artista", afirma James Lisboa, que consegue fazer quatro leilões por ano e aproveitou agora o momento de abertura da 30.ª Bienal de São Paulo para colocar 184 lotes no pregão. Por exemplo, há, atualmente, duas exposições em cartaz na cidade dedicadas a Willys de Castro - na Pinacoteca do Estado e no Instituto de Arte Contemporânea.

No cenário do comércio de obras - nacional e internacional -, a suíço-brasileira Mira Schendel também é um destaque mais recente da vertente concreta/neoconcreta que nos últimos 15 anos teve como estrelas internacionais Lygia Clark e Hélio Oiticica, seguidos nos últimos tempos por Lygia Pape. No leilão, as apostas em Mira Schendel se deram no conjunto de oito pinturas realizadas por ela na década de 1970 com spray, cujo conjunto tinha estimativa de R$ 400 mil (mas não foi vendido no evento).

"O Brasil domina este mercado (de concretos e neoconcretos), tanto no sentido acadêmico como no comercial. A diferença da Argentina, por exemplo, é que o colecionismo e estudo do concretismo brasileiro começou em sua própria época e isso teve muita importância. Gerou-se um discurso primeiro no Brasil e depois no exterior. O caso venezuelano é parecido, mas, na verdade, não tem a mesma densidade de ideias e de artistas que no Brasil", afirma Gabriel Pérez-Barreiro, diretor da Coleção Patricia Phelps de Cisneros em Nova York e Caracas (e ele foi o curador-geral da 6.ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2007).

"Creio que hoje se entende no cenário internacional que o neoconcretismo é um dos movimentos chaves do século 20 internacional como foi o minimalismo, o surrealismo, ou qualquer outro fenômeno", continua Pérez-Barreiro. O próprio curador-geral da 30.ª Bienal de São Paulo, Luis Pérez-Oramas, contou ao Estado como foi difícil a concretização de um fato surpreendente para os brasileiros, o de expor nas salas do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) um núcleo latino-americano com obras de Aluísio Carvão, Oiticica e Lygia Clark, entre outros, inserido no percurso das artes norte-americana e europeia dos anos 1950 e 60. Já a galerista Eliana Filkenstein surpreendeu-se que as galerias estrangeiras participantes da última feira ArtRio tenham apostado na geometria "para dialogar" com os concretistas e neoconcretistas brasileiros.

A Dan, na Rua Estados Unidos, em São Paulo, aproveitou o momento da 30.ª Bienal para falar de raiz construtiva com a exposição Concretos Paralelos, mostra de caráter inédito, realizada em parceria com a Cultura Inglesa e que coloca lado a lado exemplos do concretismo e neoconcretismo brasileiro e inglês - representado por Anthony Hill e Robert Adams, entre outros - (uma parte da exibição fica em cartaz no Centro Brasileiro Britânico e a outra na galeria). "É uma mostra histórica", informa Peter Cohn.

Mas o mercado está aquecido também em relação à mais nova arte contemporânea brasileira. O colecionador brasileiro - crescente de representantes na faixa dos 30 a 50 anos - é ousado, "que não se assusta com obras pequenas ou grandes" e até aluga espaços para mostrar suas coleções, como afirma a galerista Eliana Filkenstein. A feira Parte, realizada por Tamara Perlman e Lina Wurzmann, com obras mais "acessíveis" de até R$ 15 mil, vendeu, no ano passado, em sua estreia, cerca de R$1,5 milhão. "Foram adquiridas muitas obras entre R$ 3 e R$ 4 mil", diz Tamara, que já prepara a segunda edição da Parte, a partir de 17 de outubro, no Paço das Artes.




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