Operários na ''pequena Taipé''
As fábricas da Foxconn espalham-se por dez blocos do distrito industrial de Kunshan (sudeste da China). São dezenas de edifícios horizontais, cada um num estilo arquitetônico, marcando cada etapa do crescimento vertiginoso da maior companhia do mundo de serviços de manufatura eletrônica - o nome técnico das empresas que fabricam componentes ou produtos inteiros para marcas conhecidas, no caso da Foxconn, para a Sony, HP, Apple, Dell, Intel, Cisco, Nokia e Samsung, entre outras.
Depois de começar em 1974 em Taiwan como empresa de fundo de quintal, com investimento inicial de US$ 7.500, a Foxconn é hoje a maior exportadora da China. Tem unidades espalhadas pelo mundo inteiro, incluindo Manaus, Indaiatuba e Jundiaí, no interior de São Paulo, onde fabrica 100 mil notebooks por mês para a HP e para a Sony. Faturou em 2007 US$ 518 bilhões (28% mais do que no ano anterior). Emprega mais de 200 mil funcionários, dos quais 40 mil em Kunshan.
A 40 km de Xangai, Kunshan tem 650 mil moradores e 1,2 milhão de trabalhadores imigrantes. Uma densa fumaça a cobre, e a acidez do ar impregna a pele, os lábios e a saliva.
A cidade tem a mais alta renda per capita da China: US$ 13.424 em 2006. Por causa da concentração de indústrias taiwanesas, ganhou o apelido de "Pequena Taipé".
A Foxconn transformou dezenas de milhares de filhos de agricultores pobres chineses em operários da indústria. É o caso de Chao Yonghui, de 16 anos (idade mínima legal de trabalho na China), e Xu Zengguang, de 20, ambos do vilarejo de Yuexang, na Província de Hunan (sudeste). Depois de concluir o equivalente ao ensino básico (antigo ginásio) no Brasil, eles fizeram um curso privado profissionalizante de dois anos. Pagaram 1.000 yuans (US$ 146) para a escola conseguir-lhes uma vaga na Foxconn, incluindo o ônibus de seu vilarejo para Kunshan, que custa 400 yuans (US$ 58).
Trabalham 12 horas por dia, seis dias na semana, e fazem também horas-extras noturnas e nos fins de semana, para ganhar 1.600 yuans (US$ 233) por mês. Se trabalhassem só 21 turnos de 12 horas por mês, receberiam o salário básico: 840 yuans (US$ 122,57), equivalentes a 40 yuanes (US$ 5,83) por dia. Ninguém faz isso na Foxconn. Nos fins de semana, o dia vale o dobro.
PERÍODO DE EXPERIÊNCIA
Em Xangai, colegas de curso deles conseguiram salários de 3 mil yuans (US$ 438), mas o custo de vida lá é mais alto. Na Foxconn, os empregados têm comida e alojamento (quarto com beliches e banheiros no corredor) de graça.
Há quatro meses na firma, Chao e Xu não assinaram contrato. Disseram-lhes que estão em período probatório, que dura um ano.
Não têm seguro de saúde. Se o quiserem, têm de pagar 100 yuans (US$ 14,58) por mês, que se não utilizarem receberão de volta ao pedirem as contas. Pouca gente opta por pagar.
Xu conta que sair é fácil. É só avisar o chefe. "Muitos dos nossos colegas de curso já voltaram", diz ele. "O trabalho é muito chato", conta Chao. "Ficamos 12 horas juntando partes de conectores."
Chao e Xu não têm o que fazer em Kunshan, além de ver televisão no refeitório, quando não estão no turno noturno. Têm guardado dinheiro. Se saírem da Foxconn, irão para outra fábrica em Kunshan. Não voltarão mais para seu vilarejo em Hunan.
Siga o @estadao no Twitter
Notícias ESPN
-
/futebol
Sem Alex Silva, Santos anuncia lista de inscritos na Libertadores
-
/lutas
Com Cigano e Aldo, UFC Undisputed 3 é lançado e tem opções mais acessíveis a iniciantes
-
/carioca
Jean espera chance contra o Americano para ganhar espaço no Fluminense
-
/europaleague
VÍDEO: Com um a mais, Besiktas bate o Braga em Portugal e coloca mão em vaga nas oitavas
-
/championsleague
Barça vai a campo contra o Bayer sem Xavi e com Busquets e Adriano de titulares
- 01 Petrobras busca reajuste de combustíveis via ...
- 02 Serra chama de 'lixo' livro sobre ...
- 03 Para bispo, ministra da Secretaria das ...
- 04 Japão mobiliza 900 soldados para ...
- 05 Irã bloqueia acesso ao Google e a outras ...
- 06 Retrospectiva 2011: Terremoto e tsunami matam ...
- 07 Mercadante quer dar bônus para escola que ...
- 08 PT reage a FHC: 'Disputa ideológica sobre ...
- 09 Presidente do PT critica privatizações ...
- 10 Em 2004, ministra admitiu ter feito ...
Programação da TV
-
14/02 Agora
Bayer Leverkusen x Barcelona
Futebol | Liga dos Campeões
ESPN Brasil e Esporte Interativo -
14/02 Agora
Lyon x APOEL
Futebol | Liga dos Campeões
ESPN -
14/02 Agora
Jogos
Tênis | Brasil Open
SporTV 2 e BandSports -
14/02 Agora
Uberlândia x Pinheiros
Basquete | NBB
SporTV -
14/02 21h00
Osasco x Praia Clube
Vôlei | Superliga Feminina
SporTV
Grupo Estado
- Copyright © 1995-2011
- Todos os direitos reservados







