Oposição de Portugal quer renegociar resgate
Acordo com a Grécia, que prevê juros baixos e prazo de reembolso mais longo, passou a ser almejado por empresários e sindicalistas de Lisboa
O programa de socorro da União Europeia e do FMI à Grécia não mexe apenas com os mercados financeiros; ele também provoca reações políticas no bloco. Em Portugal, que foi resgatado com um plano de € 78 bilhões em 2010, um movimento reunindo líderes da oposição, empresários e sindicalistas está pressionando o governo a renegociar os termos do empréstimo, reduzindo o impacto das medidas de austeridade e a recessão.
Pelo acordo desta semana, Atenas terá mais dinheiro, pagará juros mais baixos e terá prazo de reembolso alongado em relação aos planos anteriores.
A reivindicação surgiu em Lisboa antes mesmo da aprovação do programa. Um dos os defensores da ideia é o líder do Partido Socialista (PS), António Severo, sucessor de José Sócrates, que como primeiro-ministro negociou o plano de austeridade com Bruxelas e o FMI. Preocupado com a gravidade da recessão no país e na Europa, Severo pede flexibilidade aos técnicos da troica. "Portugal ainda tem condições de conseguir cumprir seus objetivos", disse ele, em entrevista ao jornal Público. Porém, ele exortou Bruxelas a observar a "realidade e a conjuntura". "A situação se agravou em Portugal e também na Europa. Se houve alteração nas condições, é importante que o memorando (de socorro) seja adaptado."
Apelo similar também é feito pelo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), António Saraiva. O empresário defende a realocação de recursos para o estímulo ao crescimento. Além disso, afirma que Portugal precisa de € 30 bilhões extras para enfrentar a ameaça de colapso e estimular o crescimento, combatendo o desemprego, que entre jovens chega a 35%. "O país não pode se dar ao luxo de ter 35% de jovens desempregados, somando-se a uma população ativa de longa duração."
Por ora, o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho se mostra insensível aos apelos. Na sexta-feira, ele reafirmou que "o governo não vai pedir nem mais dinheiro nem mais tempo" à União Europeia e ao FMI.
A postura de Passos Coelho é exatamente o que Bruxelas espera de Portugal. Olli Rehn, comissário europeu de Finanças, elogiou a implantação do programa de austeridade no país e disse que a troica faz ajustes "no quadro de decisão do financiamento e da orientação principal do programa", mas não nas renegociações de larga escala. Rehn descarta a possibilidade de Portugal ser beneficiada com juros mais baixos ou prazos mais longos, condições oferecidas à Grécia no segundo plano de resgate.
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