Oposição perde apoio em Santa Cruz
Caso de supostos mercenários contribui para debilitar movimento
A desmobilização dos adversários do presidente boliviano, Evo Morales, foi sentida claramente nestas eleições principalmente no Departamento (Estado) de Santa Cruz, um dos tradicionais redutos opositores da Bolívia. Enfraquecido após protestos que levaram o país à beira da guerra civil em setembro de 2008, a oposição da região perdeu ainda mais espaço no cenário político do país depois de ter alguns de seus líderes vinculados a um grupo de mercenários que teria como objetivo o assassinato do presidente.
Santa Cruz - cuja área de 370,6 mil quilômetros quadrados é maior que o território do Uruguai - é responsável por 29% do PIB boliviano. Neste processo eleitoral, a região foi uma das prioridades de campanha de Evo, que antes tinha de reforçar a segurança para visitar a capital do departamento, de 1,6 milhão de habitantes.
"Os líderes da oposição em Santa Cruz cometeram muitos erros nos últimos meses", afirmou ao Estado, por telefone, o cientista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica da Bolívia. "A região ainda tem força política, mas, depois do episódio que envolveu os supostos terroristas, a oposição perdeu um pouco de credibilidade."
Em abril, a polícia matou a tiros três estrangeiros numa confusa operação antiterrorista no centro da cidade de Santa Cruz. Segundo as autoridades, foram encontrados documentos que traçavam os preparativos de um atentado contra Evo e o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera.
Um mês depois uma investigação sobre o caso vinculou o então presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Branko Marinkovic, e o governador do departamento, Rubén Costas, ao plano dos mercenários. Uma testemunha afirmou que Marinkovic teria oferecido US$ 200 mil para o grupo comprar armas, enquanto outra pessoa interrogada revelou que Costas colocou uma casa à disposição dos estrangeiros.
Tanto Marinkovic como Costas negaram as acusações, mas nesta semana Evo voltou a comentar o caso, afirmando que a elite do departamento "se auto-derrotou" ao ter apoiado o grupo.
Outro episódio que contribuiu para o enfraquecimento da oposição foram os protestos de setembro de 2008. Na época, os líderes de Santa Cruz lideraram e coordenaram uma série de manifestações, tomando uma série de prédios governamentais e fechando dezenas de estradas e aeroportos no país.
Os atos, que tinham como objetivo conseguir mais autonomia econômica e política para as regiões opositoras, acabaram tendo um efeito contrário e aumentaram o apoio a Evo e seu governo.
"As regiões opositoras tiveram uma grande importância no governo de Evo, mas não souberam atuar de uma maneira conjunta", explicou Fernando Mayorga, analista da Universidade Pública de Cochabamba. "O resultado foi a debilitação quase que completa do movimento opositor para estas eleições."
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