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Osesp estreia 1ª temporada criada sob nova direção artística e regência

Com Artur Nestrovski e Marin Alsop, agenda de 2012 ganhou tema 'Música em Tempos de Guerra e Paz'

20 de outubro de 2011 | 3h 06
João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

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Marin Aslop, regente titular da orquestra, estará à frente de 11 programas - Ayrton Vignola/ AE
Ayrton Vignola/ AE
Marin Aslop, regente titular da orquestra, estará à frente de 11 programas

A Osesp anunciou na tarde desta quarta-feira, 19, a sua temporada 2012 - a primeira completamente feita sob os auspícios da nova direção artística, posto que Artur Nestrovski assumiu no ano passado, e já com a maestrina norte-americana Marin Alsop como regente titular. Serão 35 semanas de programação, ao longo das quais estarão espalhados 124 concertos, entre apresentações da orquestra, dos seus grupos de câmara e recitais. Pela primeira vez, a agenda ganha um tema - Música em Tempos de Guerra e de Paz; a orquestra passa a ter um artista residente - o violoncelista Antonio Meneses; e incorpora à programação ciclos completos - as sinfonias de Brahms e Bernstein.

"A presença de um tema é parte do esforço de fazer com que toda nossa atividade dialogue de maneira mais ampla e constante com a vida da cidade, do País, do mundo. Não se trata apenas do prazer do concerto, mas também de participar ativamente do debate cultural, para o qual a Osesp pode contribuir. É claro, trata-se de um tema aberto bastante para evitar uma rigidez na programação. E ele permite pontos de contato entre as nossas diversas séries: os concertos sinfônicos, corais, de câmara, os recitais", diz Nestrovski.

O diálogo entre as séries também se dá pela nova figura do artista residente. "É uma ideia bastante comum lá fora, mas é a primeira vez que se faz aqui. Todo ano teremos um brasileiro ou estrangeiro que possa desenvolver trabalhos mais frequentes e significativos com a Osesp. O Meneses vai, além de tocar com a orquestra e estrear uma nova obra de Marco Padilha, dar um recital e fazer música de câmara com integrantes da orquestra." Outro ponto de contato é a manutenção da figura, instituída em 2011, do compositor transversal, que terá obras tocadas ao longo de toda a nova temporada: depois de Arvo Part é a vez do russo Alfred Schnittke. "Poucos viveram a questão da guerra e da paz na pele como ele, músico de primeira grandeza que merece ser mais bem conhecido."

Ainda no que diz respeito aos compositores, a Osesp escolheu o finlandês Magnus Lindberg como residente e, em parceria com a Filarmônica de Los Angeles e a Orquestra de Birmingham, vai estrear uma obra do compositor mexicano Enrico Chapela, um concerto para violoncelo elétrico. "Além da parceria com outros grupos, importante em si, estrear a obra de um autor mexicano é fundamental para que a Osesp assuma o papel da grande orquestra latino-americana", diz Nestrovski. Entre os brasileiros, o grupo fará estreia de Aylton Escobar, cujas obras serão gravadas pelo Coro da Osesp; Clarice Assad escreve a fantasia sobre o Hino Nacional; e o flerte dos últimos anos com o universo popular vira relacionamento, com a encomenda de um concerto para dois violões a Paulo Bellinatti, de uma peça para acordeão e cordas a Toninho Ferragutti e de um arranjo sinfônico de peças de Chico Buarque a seu maestro, Luiz Cláudio Ramos. "A Osesp tem de se abrir, não precisamos fechar portas. A riqueza da música popular brasileira é reconhecida lá fora, precisamos aceitá-la aqui dentro também", diz Nestrovski.

Além dos ciclos completos das sinfonias de Brahms e Bernstein, a Osesp fará "miniciclos" dedicados aos concertos para piano de Mozart (serão cinco) e às sinfonias de Shostakovich (da n.º 5 à n.º 8). Entre outros destaques da programação, estão as Quatro Últimas Canções, de Strauss (Anne Schwanewilms), A Canção da Terra, de Mahler (Celso Antunes), a Sinfonia Ameríndia (Isaac Karabtchevsky) e o Momoprecoce, de Villa-Lobos (Alsop e Nelson Freire). A nova titular, Marin Alsop, rege 11 programas - e, ao contrário do antecessor Yan Pascal Tortelier, agora regente de honra, parece ter se entregado à descoberta do repertório brasileiro e vai reger, além de Villa, Guarnieri e Francisco Mignone. Ainda entre os maestros, quatro estreantes (entre eles Carlo Rizzi) e muitos retornos, como Carlos Kalmar, Giancarlo Guerrero e Louis Langrée. Igual proporção entre os solistas: quatro estreias, com destaque para o pianista Andras Schiff num recital que inclui a Sonata opus 111 de Beethoven. Ainda não há previsão de tranmissões de concertos pela internet, prática iniciada em 2010.