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Pacientes com aids têm mais depressão

02 de dezembro de 2009 | 0h 00
Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz com 1.260 pessoas que fazem tratamento para aids no País mostra que elas se queixam mais de problemas relacionados à convivência social do que de problemas físicos. Entre as mulheres, 33% disseram ter grau intenso ou muito intenso de depressão - mais que o dobro do índice registrado na população em geral (15%).

No grupo masculino, os indicadores foram também superiores ao da média mundial: 23%. "O sentimento é, na maioria das vezes, provocado pela solidão, pelo medo da discriminação", diz a coordenadora da pesquisa Célia Landmann. O estudo foi divulgado ontem, Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

O trabalho mostra que 65% avaliam que seu estado de saúde é bom ou ótimo: 10 pontos porcentuais a mais que o da população em geral. "Passado o impacto do diagnóstico e a primeira fase do uso de medicamentos, as pessoas começam a relatar significativa melhora", diz Célia. A diretora do departamento de DST-Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariangela Simão, tem explicação semelhante. "As pessoas percebem que, com tratamento, a infecção pode ser controlada. E passam a valorizar a saúde muito mais do que a população em geral."

PROBLEMAS NO TRABALHO

O estudo avaliou os principais impactos da notícia da doença. Para os entrevistados, o maior problema é a piora na condição financeira. "Um reflexo da dificuldade de se conseguir emprego ou se manter nele", avalia Célia. Entre os homens, 55% não trabalham. Porcentual maior do que o da população geral masculina: 21%.

Célia observa que o paciente tem de ir regularmente aos postos de distribuição para pegar o medicamento - o que muitas vezes não é tolerado no trabalho. Mariangela lembra que o problema é enfrentado por pacientes com outras doenças crônicas. "A diferença é que muitos não revelam sua condição. Fica mais difícil explicar a falta."

Ontem, o Ministério da Saúde lançou uma campanha com o tema preconceito e estigma. O filme é protagonizado pelo estudante Samir Amim, de 22 anos, soropositivo, que beija uma jovem que não tem o vírus.