Pacto garante restituição no Congresso, dizem zelaystas
Favorito na corrida eleitoral teria prometido a Zelaya votação em bloco de bancada por retorno
Um acordo de bastidores firmado entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o franco favorito na corrida presidencial, Porfírio "Pepe" Lobo, do Partido Nacional, promete ser a chave para a aprovação da restituição no Congresso. Temendo ver sua provável vitória ser desconsiderada pela comunidade internacional, Pepe prometeu a Zelaya que seu partido - a segunda legenda do Parlamento - votará em bloco pela volta do deposto. Zelaystas apostam que o acerto garante a maioria necessária para a restituição.
A informação foi revelada ao Estado por um membro da alta cúpula zelaysta. Segundo seus cálculos, pelo menos 79 dos 128 congressistas apoiam a restituição: os 54 da bancada de Pepe, entre 20 e 25 dos 62 do Partido Liberal (do qual fazem parte tanto Zelaya quanto o presidente de facto, Roberto Micheletti) e os 5 deputados da Unificação Democrática. "Há, portanto, uma enorme chance de aprovarmos isso", conclui o zelaysta.
Desde que o chamado "Diálogo de Guaymuras" começou, no dia 8, Zelaya insiste que seja do Congresso a palavra final sobre seu retorno. Micheletti, porém, queria que a decisão fosse submetida à Justiça, a qual dissera, em agosto, que a restituição era ilegal.
Países da Organização dos Estados Americanos (OEA), entre eles o Brasil e os EUA, ameaçavam não reconhecer o resultado do dia 29. O boicote colocaria a batata quente do isolamento internacional nas mãos de Pepe, que lidera a corrida com 59% das intenções de voto.
Com a chegada em Honduras da missão americana liderada por Thomas Shannon, subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Micheletti recuou. Na quinta-feira, seus negociadores formalizaram uma nova oferta, segundo a qual o Judiciário emitiria um parecer não vinculante. Zelaya aceitou.
Desde que o líder deposto se abrigou na embaixada do Brasil, em setembro, Micheletti diz que, caso Zelaya deixe o local, será imediatamente detido. Questionada ontem, a assessoria do governo de facto disse ao Estado que não se pronunciaria para não comprometer o diálogo. O lado zelaysta minimiza as chances de o líder deposto ser preso ao sair da missão. "Se isso ocorrer, haverá uma crise ainda pior", garantiu o assessor de Zelaya.U
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