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País tem primeira manifestação

ONGs pedem ação contra mudanças climáticas

02 de dezembro de 2012 | 2h 04
DOHA - O Estado de S.Paulo

Foi discreta, mas histórica. Ontem pela manhã, ONGs de ambientalistas, mulheres e organizações sindicais, tanto do Oriente Médio quanto internacionais, e o recém-nascido Movimento Climático da Juventude Árabe (AYCM) saíram em marcha para pedir uma ação urgente dos países presentes na COP-18 a fim de evitar as mudanças climáticas. Pela primeira vez na história recente do país a realização de uma manifestação pública foi permitida.

A autorização e o anunciado apoio do governo ao protesto chegaram a deixar no ar uma sensação de que seria uma passeata "chapa branca" - ainda mais depois que um dos líderes do evento, o consultor Khalid Al Monhammid, da ONG Doha Oasis, disse que a marcha foi possível porque o Catar é um país com liberdade de expressão. Mas, na hora da festa, o tom foi crítico como era esperado que fosse. A mensagem principal era: árabes, reduzam as suas emissões e assumam a liderança na mudança.

Durante uma hora e meia, cerca de mil participantes andaram por 2,5 quilômetros da Avenida Al Corniche, uma das regiões mais suntuosas da capital, cercada de um lado pelo Golfo Pérsico e do outro por arranha-céus modernosos. Clamaram quase o tempo todo frases como: "Líderes árabes, é hora de liderar"; "Sua ação é a nossa sobrevivência"; "Ação climática agora"; e "Nosso futuro está suas mãos", entre outras.

A bióloga marinha Reem al Mealla, de 24 anos, uma das criadoras da AYCM, era uma das líderes da marcha. Contou que só foi saber das mudanças climáticas quando foi fazer faculdade em Londres. No Bahreim, país vizinho onde nasceu, boa parte das escolas não traz o assunto no currículo. "Queremos ver mudanças e acho que é encorajador que a COP-18 esteja ocorrendo no Catar, apesar das emissões per capita. É a chance de assumirmos uma meta voluntária de reduções."

Ao final da marcha, Fahad Bin Mohammed Alattiya, porta-voz do governo na conferência do clima, apareceu no ponto de dispersão e falou aos participantes. Disse esperar que eles sejam ouvidos pelos delegados.

Participação. Só faltou audiência, afinal em Doha não se vê muitas pessoas andando a pé, mesmo com o calçadão à beira-mar. Mas os trabalhadores da construção civil das obras vizinhas pararam para ver. Migrantes em sua maioria, não têm autorização para participar de eventos assim. No meio dos pedidos da marcha, porém, eles estavam representados. Por mais segurança nas condições de trabalho e direitos humanos. / G.G.




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