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Pan alerta: Olimpíada é outra história

As 141 medalhas ganhas em Guadalajara não são parâmetro para uma boa apresentação no ano que vem na Inglaterra

06 de novembro de 2011 | 3h 02
SÍLVIO BARSETTI / RIO - O Estado de S.Paulo

RIO - A conquista de 141 medalhas no Pan de Guadalajara foi exaltada pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, para quem o desempenho dos atletas do País na competição demonstra evolução permanente e consolidada do esporte no Brasil. O dirigente se apega a números, convenientemente usados para sugerir avanços que esbarram, no entanto, em evidências e dados históricos. Desde a primeira edição do Pan-Americano, em 1951, o Brasil se vê sempre diante de um dilema - sua posição despenca no quadro de medalhas das olimpíadas, realizadas um ano após cada competição das Américas.

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Angelica Kvieczynsky teve 4 pódios no Pan, mas não se classificou para Londres - Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE
Angelica Kvieczynsky teve 4 pódios no Pan, mas não se classificou para Londres

A queda é brusca e não mudou nessa relação Pan-Olimpíada em quase 60 anos. O Brasil, em geral, obtém nos Jogos Olímpicos cerca de 10% do total de medalhas ganhas nos Pan-Americanos. Isso, na verdade, já foi assimilado pela cúpula do COB. Ao Estado, no início da semana, o superintendente de esportes do comitê, Marcus Vinícius Freire, deixou clara qual a expectativa da entidade para Londres-2012: o COB vai se dar por satisfeito se o Brasil receber em torno de 15 medalhas. Ou seja, repetir o número de Pequim, em 2008.

O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça, também arrisca o palpite de que na próxima Olimpíada os atletas do País conseguirão "entre 13 e 15 medalhas". "Não deve ser diferente disso", comentou.

Na Olimpíada de 1952, o Brasil subiu ao pódio três vezes. Um ano antes, no Pan, conquistou 32 medalhas. A distorção mais gritante ocorreu na década de 1960. No Pan de 1963, disputado pela primeira vez no Brasil (em São Paulo), as equipes nacionais obtiveram 52 medalhas. Na Olimpíada de 1964, em Tóquio, apenas o basquete masculino voltou para casa com uma premiação. No caso, conseguiu o bronze.

FUTURO SOMBRIO
Nos últimos anos, o Brasil passou a ocupar papel mais importante no esporte entre os países das Américas Central, do Norte e do Sul. Isso se reflete em parte nos Pan-Americanos. Mas não indica um futuro promissor. O ideal de uma potência olímpica parece cada vez mais um exercício de utopia.

No Pan recém-encerrado em Guadalajara, o País ficou muito atrás dos Estados Unidos, que levaram para o México em grande maioria atletas reservas. Perdeu também para Cuba, outra delegação desfalcada de seus principais competidores.

Os destaques do País são conhecidos do público e as apostas vão se concentrar neles: Cesar Cielo, Diego Hypólito, Maurren Maggi, as duplas masculina e feminina de vôlei de praia, além do vôlei de quadra. Podem também figurar como fortes candidatos a trazer medalhas para o Brasil em 2012 alguns poucos atletas de judô, vela e hipismo. O futebol é uma incógnita e depende do interesse da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de enviar times fortes para os Jogos Olímpicos de Londres.

Comparar resultados de Pan-Americanos e Olimpíadas entre décadas requer pelo menos um cuidado. A quantidade de medalhas oferecidas aumentou muito desde os anos 50, nas duas competições. No primeiro Pan, por exemplo, estavam em disputa 419. No evento em Guadalajara, encerrado no dia 30 de outubro, esse número alcançou 1.177.

O Brasil confirmou no México sua vantagem sobre o Canadá. É um detalhe que alimenta estatísticas e ilustra o discurso otimista do COB. Não significa muita coisa se o País não estender as conquistas para além das sete modalidades com alguma representatividade em Olimpíadas. Em Londres, 26 esportes vão distribuir medalhas. Na maioria deles, o Brasil nem sequer poderá sonhar com pódio.


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