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Para especialista, problema da empresa foi a pressa

Para chegar logo ao posto de número um do mundo, companhia perdeu qualidade

09 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Michel Escanhola, JORNAL DA TARDE - O Estadao de S.Paulo

Um momento delicado, de grande desafio, mas que não afetará a imagem da maior fabricante de veículos do mundo. Essa é a análise que Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos e ex-presidente da Ford do Brasil, faz da gigantesca confusão em que a Toyota se meteu ao demorar para diagnosticar e, posteriormente, convocar mais de 8 milhões de veículos para reparos, o que se caracteriza como o maior recall da história feito por uma montadora. De acordo com o especialista, a empresa tem capacidade técnica e financeira para resolver os defeitos nos sistemas de freios e acelerador de alguns de seus carros.

Para Melo, a raiz do problema pode estar ligada à pressa que a fabricante japonesa teve em assumir o posto de número um no mundo e, consequentemente, aumentar sua capacidade produtiva para se manter no topo. "O grande erro é tentar prever o futuro. Em geral, as grandes marcas não declaram que vão ser líderes. A Toyota buscou a liderança com qualidade. Mas, em alguma etapa, o processo de qualidade foi prejudicado."

Mesmo com as dimensões do recall, ainda não é possível dizer quais fabricantes sairão da crise ganhando ou perdendo, segundo Melo. Para ele, num mercado competitivo como o dos Estados Unidos é, no mínimo, arriscado oferecer bônus para quem quiser trocar um Toyota por modelo de outra marca, como Ford e GM estão fazendo.

"Não chega a ser antiético, mas é deselegante. Ações como essa não trarão grandes resultados e são de curto prazo. A Toyota tem uma excelente imagem, que foi construída ao longo dos anos. E isso só vai mudar se outras convocações como esta ocorrerem", explica Mello. "O ponto crucial para a Toyota, neste momento, é manter a humildade, algo que é típico dos japoneses. É preciso admitir erros e buscar repará-los de forma transparente. Caso isso não ocorra, aí sim, a maior fabricante do mundo levará uma lição que ela e as demais montadoras não esquecerão."