Para expert, Morumbi tem tempo para ajustes
Engenheiro diz que estádio precisa trazer benefícios para o entorno
O Morumbi só não será o palco de abertura da Copa do Mundo de 2014 se for preterido em razão de questões políticas que envolvem São Paulo, Fifa e CBF. Especialista no assunto, o engenheiro australiano Don Aroney diz haver tempo suficiente para que surjam soluções técnicas satisfatórias aos questionamentos impostos pela Fifa ao estádio paulistano. Ele fala com base no conhecimento adquirido com a construção do Estádio Austrália, onde foram realizadas as principais provas da Olimpíada de Sydney-2000, e de Wembley, arena refeita, com projeto modero, para os Jogos de Londres-2012.
"Construímos um estádio em 29, 30 meses. O Brasil tem dois anos a mais para construir ou reformar os seus", compara Aroney, diretor de construções de uma empresa que levantou duas das mais modernas arenas do planeta. "Há tempo suficiente, e tenho certeza de que tambem experiência suficiente, para resolver as carências do Morumbi", tranquiliza. "Isso não é problema."
O executivo disse ao Estado que a situação pela qual passa o Morumbi é semelhante àquela que Sydney enfrentou quando foi escolhida sede dos Jogos. "As exigências são realmente muito grandes e os padrões, muito altos", concorda. "É preciso levar em conta não apenas os milhares de espectadores que ficam no estádio, mas ter ampla consciência de que aqueles milhões que estão em casa precisam assistir pela TV a um grande espetáculo também."
O estádio de Sydney tinha capacidade para 110 mil pessoas durante a Olimpíada. Depois, com pequenas adequações, passou a abrigar 80 mil. O Morumbi precisa receber, no mínimo, 65 mil espectadores, se quiser ser o palco de abertura da Copa - concorre com o Mineirão, em Belo Horizonte, e com o novo Mané Garrincha, em Brasília. "O Brasil é muito rico em relação ao futebol. Os brasileiros não deviam ver as exigências da Fifa como uma crítica, mas encontrar soluções para as questões levantadas", enfatiza o especialista. "As maiores cidades precisam ter soluções não só nos estádios, mas tambném no que se refere a transporte, acomodação... Enfim, dar retorno à comunidade. A Copa dura um mês e não se pode construir um estádio pensando apenas num período tão curto."
Tanto em Sydney quanto em Wembley há linhas de trem e de ônibus que levam aos estádios a partir de várias regiões das cidades, inclusive de grandes estacionamentos, uma das deficiências de São Paulo. Dinheiro público foi investido. Na Austrália, os custos não passaram do que fora estimado. Na Inglaterra, contudo, no fim de 2002 pensava-se que seria viável construir um estádio com 326,5 milhões de libras (R$ 959 milhões). Quatro anos e meio depois, o preço chegou a impressionantes 798 milhões de libras (R$ 2,4 bilhões).
Mas o governo britânico não teve de pagar a conta toda. "As empresas que vão construir os estádios têm de garantir a entrega e o preço, quando assinam os contratos. Nenhum dia e nenhum centavo a mais", esclarece Aroney. O engenheiro salienta ainda que a Brookfield Multiplex, que ainda tem o direito de explorar espaços de Wembley, teve de arcar com o excedente. "Essa é uma questão ainda mais importante no Brasil. Os governos precisam ser muito firmes. Mesmo gastando mais, a obra valeu a pena para nós pela experiência. Para a comunidade do norte de Londres, então, nem se fala. Não havia muitas facilidades lá e, agora, existem pelo menos três estações de metrô."
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