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Parentes esperam mais informações

Enquanto isso, sindicato de pilotos criticou as recomendações do BEA

18 de dezembro de 2009 | 0h 00
GABRIEL BRUST, PARIS - O Estadao de S.Paulo

O grupo de famílias que enfrentou a primeira neve do outono em Paris para se dirigir ao Aeroporto de Le Bourget e receber os resultados do relatório do BEA saiu do encontro menos insatisfeita. "Nós compreendemos que um acidente como este não terá conclusões em apenas seis meses. E acho que ficou claro que agora há boa vontade dos investigadores em nos manter informados", afirmou John Clemes. Para contornar as críticas, segundo as quais não estavam procedendo claramente, os investigadores do BEA prometeram reuniões semanais com os parentes quando houver o reinício das buscas.

As principais críticas ao relatório foram em relação às recomendações de segurança, consideradas muito tímidas. Segundo o piloto Gérard Arnoux, presidente do sindicato dos pilotos da Air France, os dois pontos que mereciam recomendação expressa foram ignorados pelo relatório.

O primeiro seria a instalação de sistemas ADS-B, que já seriam usados no Oceano Pacífico e permitiriam corrigir os "buracos de comunicação" no Atlânico. O segundo, a adoção de mapas de satélite meteorológico, instrumento que permitiria um preparo maior para os contratempos do clima. "É inacreditável que não tenham se manifestado sobre isso. Os aviões continuarão voando nestas condições atuais", protestou Arnoux. O chefe de investigação, Alain Bouillard, porém, rebateu de forma taxativa: "Não temos um cenário que exija essas recomendações."


REPERCUSSÃO INTERNACIONAL


Le Monde

O jornal destacou em seu site que as causas do acidente com o voo 447 são ainda desconhecidas, segundo relatório do BEA, responsável pela investigação da tragédia. De acordo com o relatório, é impossível compreender as causas e as circunstâncias do acidente na ausência das caixas-pretas. Entretanto, disse o jornal, o BEA recomendou que sejam reavaliados os critérios de certificação das sondas que medem a velocidade dos aviões durante o voo fabricadas pela empresa Thales.


Le Figaro.fr

Le Figaro destacou que mais de seis meses depois da queda do voo Rio-Paris, as causas do desastre que deixou 228 mortos ainda são indeterminadas. O jornal informou em seu site o fato de os organismos de segurança de voo europeu e americano terem determinado a substituição das sondas de velocidade dos Airbus A330 e A340 fabricadas pela empresa Thales. Mas, apesar disso, os investigadores franceses do caso se recusam a apontar as sondas como causa concreta do acidente.


BBC

Na editoria de Mundo, o portal da BBC trouxe a divulgação do relatório "inconclusivo" do BEA entre as notícias do dia sobre a Europa. O site britânico destacou a orientação para reavaliação dos certificados dos sensores de velocidade, embora os investigadores ainda não tenham chegado a uma conclusão sobre a causa do acidente. A BBC destaca que o computador de bordo recebeu informações inconstantes sobre a velocidade da aeronave, o que poderia ser um fator do acidente.

El Pais

O jornal espanhol deu destaque à divulgação do relatório do BEA sobre o acidente do voo AF 447 na editoria de Internacional de seu portal. O diário afirmou que o documento coloca em xeque a confiabilidade dos sensores de velocidade dos aviões A330 e que os investigadores recomendaram a troca dos critérios de certificação dos pitots porque eles não são adequados para voos de grande altitude. El País ressaltou que o acidente segue sem esclarecimento das causas.

New York Times

O portal do diário americano informou que o relatório do BEA sobre o acidente do voo AF 447 propõe mudanças nas caixas-pretas dos aviões para prolongar a emissão de sinais de alerta, uma vez que os equipamentos do Airbus A330 até hoje não foram encontrados. O jornal The New York Times ressaltou que as buscas pela caixa-preta e pelos destroços serão retomadas em fevereiro. O portal relatou a decepção de familiares com o resultado inconclusivo das investigações.


CNN

A CNN, em seu portal, anunciou a permanência do mistério sobre as causas do acidente do voo AF 447. Os investigadores do BEA ainda não esclareceram as causas e as circunstâncias da queda do Airbus no Oceano Atlântico. O site destacou que máscaras de oxigênio não foram encontradas, indicando que a cabine não se despressurizou durante a queda. A CNN informou também que uma equipe internacional vai retomar as buscas pela caixa-preta e por destroços em fevereiro de 2010.