Paris quer ''irmandade'' na região
No Parlamento, Sarkozy propõe aproximação entre os dois países e promete enviar soldados para o Afeganistão
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, Gordon Brown, se comprometeram ontem a impulsionar a cooperação entre os dois países na economia e em políticas de imigração. Em visita histórica a Londres, Sarkozy procurou amenizar a antiga relação de amor e ódio entre França e Grã-Bretanha, ressaltando os pontos em comum das duas grandes potências.
"Em nome do povo francês, eu venho convidar o povo britânico a escrever conosco uma nova página da nossa história em comum, uma irmandade franco-britânica, uma irmandade para o século 21", afirmou Sarkozy. "Com freqüência salientam nossas diferenças, mas gostamos da mesma música, lemos os mesmos autores, temos os mesmos inimigos no mundo e as mesmas aspirações." Desde que assumiu a presidência no ano passado, Sarkozy vem procurando se aproximar dos EUA e, agora, da Grã-Bretanha. O presidente tem como objetivo melhorar os laços entre os países, danificados desde 2003 quando o ex-presidente francês Jacques Chirac se opôs à invasão americana no Iraque.
Em discurso no Parlamento britânico, Sarkozy indicou que a França está comprometida em manter uma relação próxima com os EUA, e ofereceu soldados franceses para ajudarem a Otan no Afeganistão. "Não podemos permitir a derrota no Afeganistão", afirmou. "Não podemos permitir que o Taleban e a Al-Qaeda regressem a Cabul." Sarkozy explicou que Paris apresentou aos seus aliados na Otan uma "estratégia" para permitir ao povo afegão e ao seu governo a construção da paz. "Se essas propostas forem aceitas, a França vai propor na cúpula (da Otan), em Bucareste, reforçar sua presença militar." A França tem 1,5 mil militares no Afeganistão.
A Casa Branca qualificou de "muito positivo" o anúncio de Sarkozy. O chanceler britânico, David Miliband, afirmou que a ajuda francesa é "bem-vinda". "Acredito que é um sinal bem claro de que a França quer cumprir todas suas responsabilidades - diplomáticas e militares - no Afeganistão, e é óbvio que é extremamente bem-vindo", disse o chanceler.
O presidente francês ainda afirmou que seu país poderia seguir o exemplo britânico para reformar sua economia. "Nós não podemos construir uma Europa próspera, democrata, efetiva e eficiente sem a Grã-Bretanha", disse o líder francês. Segundo analistas políticos, a verdadeira razão de Sarkozy estar aproximando-se de Londres é por não ter uma boa relação com a chanceler alemã, Angela Merkel. Atualmente, França e Alemanha dominam a União Européia. "Na Europa de hoje, o eixo franco-alemão continua sendo o mais forte, mas isso não é o bastante", afirmou o líder francês. "Para unir os 27 países novamente, precisamos de uma aliança franco-britânica para o entendimento internacional."
Antes de discursar no Parlamento, Sarkozy - acompanhado de sua mulher, Carla Bruni - foram recebidos pela rainha Elizabeth II no Castelo de Windsor, onde ficarão hospedados. Hoje, Sarkozy e Brown anunciarão uma série de iniciativas conjuntas, incluindo medidas para combater a imigração ilegal e planos de cooperação na crise que ameaça os mercados mundiais. O encontro ocorrerá em Downing Street e nas instalações do clube de futebol Arsenal. Brown disse que espera discutir com seu colega francês o aumento do controle contra a imigração ilegal no porto francês de Calais.
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