Perillo responderá ao 4º inquérito
Senador agora será investigado pela acusação de ter cobrado propina para ajudar prefeitura a liberar verba
Um novo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), aberto a pedido do Ministério Público na última quinta-feira, fechou uma semana repleta de problemas para o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). Ele agora será investigado pela acusação de ter cobrado propina para ajudar na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a Prefeitura de Itapaci (GO).
O suposto envolvimento de Perillo data de 1996, quando ele era deputado federal. De acordo com depoimento prestado ao Ministério Público de Goiás, o ex-prefeito de Itapaci Francisco Agra Alencar disse que Perillo o chamou a Brasília e impôs, para que ajudasse a liberar recursos do FNDE, o pagamento de propina equivalente a 20% do valor reservado para a construção de uma escola no município.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2004, mas por decisão dos ministros foi encaminhado ao Supremo, que só começou a examinar o tema no ano passado. Na quinta-feira, o Ministério Público pediu que um inquérito fosse aberto para investigar o assunto e determinou que o senador seja convidado para prestar depoimento e que o Banco Sudameris, onde a propina teria sido paga, investigue se algum pagamento foi feito em seu nome.
Caso haja indícios suficientes, já adiantou o Ministério Público, Perillo poderá ser denunciado por corrupção passiva, cuja pena máxima é de 12 anos de prisão.
Foi o último capítulo de uma semana que começou no depoimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, presidida por Perillo. O senador foi um dos artífices da estratégia que culminou na convocação de Dilma para tratar do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Viu o senador José Agripino (DEM-RN), numa pergunta desastrada sobre a tortura sofrida pela ministra durante a ditadura, levantar a bola para Dilma.
Depois, veio a público a denúncia de 16 páginas encaminhada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo.
No documento, Marconi Perillo é acusado de formação de quadrilha, peculato, crime eleitoral, fraude contábil e ocultação de provas.
De acordo com o Ministério Público, durante a campanha de 2006, Perillo e Alcides Rodrigues (PP), atual governador de Goiás, teriam montado "um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas fiscais frias, pagamento de despesas de campanha por meio de laranjas e outras fraudes eleitorais". Além disso, os dois teriam usado servidores públicos, em horário normal de expediente, como cabos eleitorais.
Além desses casos, há outros três inquéritos contra o senador em tramitação no Supremo. Nenhum deles está próximo de ser concluído.
Perillo ainda tem seis anos e meio de mandato a cumprir.
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