Petrobrás suspende investimentos na Logum, 'etanolduto' de R$ 7 bi
Estatal comunicou aos sócios que não fará aportes em 2013 porque concentrará os investimentos em sua área principal de atuação
A Petrobrás comunicou aos seus sócios na Logum Logística que não vai fazer, em 2013, o aporte financeiro, correspondente à fatia de 20%, no projeto do etanolduto de 1,3 mil quilômetros que ligará Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A decisão faz parte do plano de contenção e redirecionamento de despesas da companhia para projetos prioritários.
"De fato, a Petrobrás está priorizando a carteira de investimentos e tem suas razões para alocar os recursos aos mais chegados do 'core business' da companhia", disse à Agência Estado Alberto Guimarães, presidente da Logum. "É um pedido de que, por um ano, pudesse desacompanhar os investimentos dos demais", completou.
Guimarães não revelou qual será a redução do investimento da Petrobrás, mas adiantou que os outros sócios analisam alternativas para compensar a diminuição do aporte da companhia. Com a ajuda, poderiam evitar uma diluição da participação acionária da estatal no empreendimento.
"Pode ser que os outros sócios se adiantem e façam os investimentos para depois a Petrobrás repor, mas isso está sendo discutido ainda e resolvido até meados do ano que vem, quando teremos a primeira chamada de capital para 2013", afirmou o executivo.
Sócios. Além da Petrobrás, a Logum tem como sócios as gigantes produtoras e comercializadoras de etanol Raízen, Copersucar e Odebrecht/ETH, cada uma com os mesmos 20% de participação da estatal, além da Uniduto e da Camargo Corrêa, com 10% cada.
Apesar de o projeto prever R$ 7 bilhões em investimentos, o presidente da Logum garante que, em 2013, haverá um aporte baixíssimo dos sócios, sem, no entanto, revelar qual o valor, e que não haverá prejuízo ao cronograma da obra.
Este ano, o investimento no duto somará R$ 1 bilhão, R$ 700 milhões obtidos por meio de um empréstimo-ponte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 300 milhões pelos sócios.
O empréstimo-ponte do BNDES, liberado enquanto a instituição de fomento avalia o pedido para que todo o projeto seja financiado, soma R$ 1,3 bilhão, ou seja, ainda pode liberar R$ 600 milhões.
Em março de 2013 o primeiro trecho do etanolduto, de 212 quilômetros entre Ribeirão Preto (SP) e Paulínia (SP), será inaugurado. No mesmo mês, terá início o trecho entre Ribeirão Preto e Uberaba (MG).
Capacidade. O sistema que será administrado pela Logum foi desenvolvido para ter capacidade de atender o dobro da demanda dos atuais sócios. Sem contar as ampliações ainda possíveis, o sistema terá capacidade de atender a 70% de todo o mercado em 2020.
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