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Peugeot Citroën eleva produção e contrata 700

Montadora francesa lança dois modelos no Brasil e aumenta capacidade para 160 mil veículos por ano

15 de janeiro de 2010 | 0h 00
Alexandre Rodrigues - O Estadao de S.Paulo

A PSA Peugeot Citroën vai contratar 700 funcionários para a fábrica de Porto Real, no sul do Rio de Janeiro, com o objetivo de ampliar em 50% sua capacidade de produção e fabricar dois novos modelos no Brasil. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do grupo francês para o Brasil e a América Latina, Vincent Rambaud.

Os dois novos carros são os primeiros com design desenvolvido no País. O primeiro, a ser lançado entre abril e junho com a marca Peugeot, será uma picape inspirada no modelo 207, a primeira do grupo. Já o outro veículo, com lançamento previsto para o segundo semestre, será um Citroën, mas o executivo não revelou detalhes.

Os carros serão destinados ao mercado brasileiro e à América Latina. O grupo vai lançar outros três modelos este ano para a região, que serão fabricados na unidade da Argentina. O mercado brasileiro, no entanto, é o principal alvo da companhia.

Rambaud traçou um cenário otimista para o setor automotivo no Brasil. Quer vender 200 mil carros no País este ano, 30% mais que em 2009, quando as vendas cresceram apenas 1,5%. Mesmo assim, ele comemora o resultado. As previsões de retração do auge da crise mundial levaram a fábrica de Porto Real a dispensar 250 empregados.

"O mercado brasileiro foi muito melhor do que imaginamos", afirmou Rambaud, admitindo que o corte foi uma medida mais severa do que o necessário. Os demitidos foram recontratados ao longo de 2009 e a empresa recorreu a horas extras para fechar a produção do ano em 111 mil veículos (15% para exportação) e 152 mil motores (35% para exportação).

"Temos que ver o contexto do fim de 2008, com as dificuldades da economia mundial. Preferimos reduzir estoques e privilegiar o controle de caixa para conservar nossa capacidade financeira sem paralisar o desenvolvimento de novos produtos", disse o executivo, que viu a fatia de mercado da Peugeot cair 5,5% para 5% entre 2008 e 2009. "Se tivéssemos sido menos rigorosos, teríamos vendido mais carros no início do ano, mas o importante é ser capaz de garantir o futuro."

Segundo Rambaud, o desenvolvimento dos novos modelos consumiu parte do plano de investimentos de US$ 500 milhões entre 2008 e 2011, que não foi alterado pela crise. O executivo elogiou a rapidez com que o governo brasileiro adotou medidas para estimular o setor na crise, como a redução do IPI. No entanto, advertiu que o fim dos incentivos para carros flex em março e a perspectiva de subida dos juros podem atrapalhar o setor este ano.

"A retirada desse tipo de medida, ainda mais acompanhada de uma alta de juros, poderia trazer um risco considerável. Suponho que não somos a única montadora a fazer esse tipo de análise, mas não tenho mandato para falar pelas outras", disse.

Os 700 funcionários, que vão elevar para 2.900 o quadro de pessoal da fábrica, possibilitarão a reativação do terceiro turno, cortado na crise, ampliando a capacidade de produção de 105 mil para 160 mil veículos por ano.

Segundo Rambaud, os novos modelos demandarão adaptações nas linhas de produção já existentes, mas ele não quis detalhar os investimentos. O executivo disse que a companhia tem planos de aumentar a produção na América Latina e o Brasil é o destino natural de seus futuros investimentos.

"Temos muita confiança no crescimento do Brasil e do mercado de automóveis no País no longo prazo, que hoje já responde por 50% do mercado da América Latina", disse.