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PF apreende folheto com críticas ao PT e a Dilma

Segundo gráfica, encomenda de 1,1 milhão de impressos foi feita por bispo de Guarulhos

18 de outubro de 2010 | 0h 00
Moacir Assunção, Tatiana Fávaro - O Estado de S.Paulo

A Polícia Federal apreendeu ontem, em São Paulo, cerca de 1,1 milhão de folhetos com críticas às atitudes do PT em relação ao aborto e a recomendação implícita de que os eleitores não votem na candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Retirado pela PF da Pana Gráfica Editorial, localizada no bairro do Cambuci, o material é idêntico ao que tem sido distribuído em paróquias do Estado.

Plantão. Militantes do PT ficaram toda a madrugada em frente à gráfica que fez o material - JB Neto/AE
JB Neto/AE
Plantão. Militantes do PT ficaram toda a madrugada em frente à gráfica que fez o material

Intitulado "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", o folheto tem logotipo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e leva a assinatura de três bispos da direção da Regional Sul 1 da entidade, que reúne as dioceses do Estado de São Paulo. Segundo a direção da gráfica, os folhetos foram encomendados por Kelmon Souza, assessor do bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini.

A ação da PF obedeceu a uma representação do PT acolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante a noite de sábado e a madrugada de domingo, cerca de 50 militantes e parlamentares do PT fizeram vigília na porta da gráfica até a chegada da PF. Os policiais, que precisaram de dois caminhões para retirar o material, levado para o pátio da Superintendência Regional da PF, no bairro da Lapa.

O folheto reproduz conclusões do Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida da Regional Sul 1 da CNBB, realizado julho. Lembra que o PT expulsou dois deputados, Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem contrários à legalização do aborto. Registra, ainda, que o Congresso Nacional do PT, em fevereiro "manifestou apoio incondicional ao 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos assinado pelo atual presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto".

Apelo. O texto rememora que "este mesmo congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do PT para a Presidência da República". E conclui com um apelo: "Recomendamos a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto".

Após a apreensão, a Regional Sul 1 divulgou nota oficial na qual afirma que os bispos "não indicam nem vetam candidatos ou partidos e que respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor". A nota diz que a CNBB "desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos".

O bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira, responsável pela Pastoral da Comunicação da Regional Sul 1, classificou o folheto como um equívoco. "O erro foi a apresentação de sigla partidária. Isso não poderia ter acontecido", disse. "Você pode fazer uma nota, mas a partir do momento que você cita nome, cita partido, realmente você fere as pessoas."

Em visita ao Museu da Língua Portuguesa, Dilma classificou de "crime eleitoral" a produção dos folhetos. "Não é do meu feitio sair acusando sem ter investigação, só acho que é absolutamente ilegal." / COLABOROU BETH MOREIRA, DA AGÊNCIA ESTADO


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