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PF mira impressão e distribuição das provas

Imagens de vídeo podem ajudar a identificar as primeiras pistas

02 de outubro de 2009 | 0h 00
Vannildo Mendes e Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

A primeira hipótese a ser investigada pela Polícia Federal (PF), com base nos elementos preliminares levantados pelo MEC, é a de que o vazamento tenha ocorrido entre a etapa de impressão das provas, na gráfica Plural, em São Paulo, e a da distribuição dos kits por todo o País. A PF não descarta nenhuma pista e vai começar a investigação pelo rastreamento de cada etapa do Enem, desde a confecção das provas, o que inclui tomar depoimento de servidores em Brasília ligados ao programa, até a distribuição dos exames, aplicados em mais de 10 mil pontos de 1.828 municípios.

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, os primeiros elementos de prova podem estar nas fitas de vídeo que monitoram 24 horas tanto a gráfica como a sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, onde está guardado o material digitalizado com os exames.

De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, o controle na gráfica é tão rigoroso que chega a exigir que os seus funcionários troquem de roupa ao entrar e sair do local.

O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse ontem ao ministro Haddad que o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, vai indicar o delegado responsável pelo inquérito o mais rápido possível. Mas já está definido que a investigação ficará a cargo da Polícia Fazendária.

Ao todo, existem 40 funcionários da Diretoria de Logística do Enem, vinculados ao Inep, que em tese tiveram algum contato com a confecção das provas. Eles serão ouvidos nos próximos dias. Na gráfica Plural, pelo menos 20 funcionários tiveram algum tipo de contato direto com o material e também devem ser intimados a depor.

O problema maior está na ponta de distribuição, porque são vários motoristas e operários que participam do processo, que inclui embalagem do material, carregamento nos caminhões e a distribuição propriamente dita. Além disso, parte das escolas já havia recebido as provas.

Mas a chave da solução mais rápida do caso está no depoimento dos dois personagens que tentaram vender a prova ao Estado. Haddad fez um apelo para que o jornal e a população ajudem as autoridades a localizar os suspeitos.

PROVAS ENTREGUES

Fernandes, acredita que, no momento do vazamento, mais de 90% dos kits de provas já haviam sido entregues nos locais ou estavam a caminho. O cronograma de distribuição do exame na capital paulista indica que as escolas começaram a receber as provas na terça-feira, um dia antes de o Estado constatar o vazamento. O lote que faltava era destinado às penitenciárias.

Para Fernandes, são remotas as possibilidades de alguém do MEC estar envolvido no vazamento. "Ninguém aqui viu a prova, até porque no Inep não existe a versão impressa, e o exemplar que vazou certamente passou por uma gráfica."

Segundo o Inep, dos R$ 110 milhões previstos em contrato para o gasto com o Enem deste ano, cerca de R$ 33 milhões (30%) correspondem aos custos de impressão.

COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO e FÁBIO MAZZITELLI