PIB mostra recuperação lenta nos EUA
País cresceu 2,4% no 2º trimestre e revisão dos cálculos indica que o recuo no crescimento econômico foi ainda maior no período da crise global
Os Estados Unidos se depararam ontem com o fato de que recessão em 2008 foi pior que a calculada e a recuperação caminha em ritmo mais lento que o esperado pelo governo e pelo mercado. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 2,4%, no cálculo anualizado e sem os efeitos sazonais, conforme divulgou o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio americano.
Esse porcentual foi o menor desde o início de outubro passado e o responsável por puxar para baixo o crescimento do país no primeiro semestre, que ficou em 3%. Os dados divulgados ontem confirmaram que a economia americana escapou de novos riscos de recessão. Mas, igualmente, deixam claro que houve um pico de expansão no quarto trimestre de 2009, quando o PIB cresceu 5%, que não se manteve nos períodos seguintes. O primeiro trimestre de 2010 já havia indicado ritmo menor, com alta de 3,7% na atividade. Para o segundo trimestre, o mercado americano esperava pelo menos uma expansão de 2,5%.
O resultado oficial, de 2,4%, foi avaliado até mesmo pelo governo com um tom de frustração. Em especial porque o consumo não está se recuperando com a mesma intensidade dos investimentos. A taxa de expansão dos investimentos fixos foi a maior desde 1983, de 19,1%. No caso de investimentos em bens de capital, a ampliação foi de 20%. O consumo, entretanto, cresceu apenas 1,6%, enquanto a taxa de poupança se manteve em nível considerado elevado, de 6,2%. Trata-se de uma indicação da falta de confiança do consumidor.
"Os números de hoje mostram que a recessão foi mais íngreme que a inicialmente estimada. Os 8 milhões de empregos perdidos e a total recuperação não se resolverão da noite para o dia", disse o secretário de Comércio, Gary Locke. "Essa taxa sólida de crescimento indica que continuamos em processo contínuo de recuperação da recessão. Entretanto, é necessário crescer mais rápido para reduzir substancialmente o desemprego", avaliou Christina Romer, presidente do Conselho Econômico da Casa Branca.
A preocupação com o desemprego é a que mais destoa nos discursos e ações do governo Barack Obama neste momento. A taxa média de desemprego em junho atingiu 9,5% - mais de 14% nos Estados mais industrializados. No total, 14 milhões estão sem emprego.
No último dia 21, no Congresso americano, o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, declarou que as perspectivas de recuperação continuavam "estranhamente incertas" e indicou que poderia tomar três medidas na área monetária para estimular a economia. A margem de manobra, porém, é reduzida: a taxa de juros básica já está bem próxima a zero e a taxa de inflação foi de 1,1% no segundo trimestre, em um sinal de risco de deflação.
Os números divulgados ontem confirmaram também uma retração mais dura que a calculada até o momento. Nas suas revisões periódicas, o Departamento de Comércio constatou que o PIB recuou 4% - e não 2,7%, como divulgado anteriormente - no terceiro trimestre de 2008, ou seja, no período de eclosão da crise. Para o quarto trimestre de 2008, a queda de 5,4% saltou agora para 6,8%, com a revisão.
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