Pirataria abre mercado para mercenários
Um veleiro de luxo francês, o Ponant, que fazia cruzeiros maravilhosos para pessoas muito ricas no Oceano Índico, foi recentemente abordado por piratas no Golfo de Áden, entre o Iêmen e a Somália. O Ponant estava retornando à sua base.
No momento do ataque, o iate estava sem os turistas habituais e abrigava apenas os membros da tripulação, de cerca de 30 pessoas.
Os piratas apropriaram-se da bela embarcação e a conduziram para a Somália - uma estranha região do leste da África, país sem lei, entregue a todos os delírios, todos os perigos.
A pirataria tem-se dado bem. Claro, os piratas modernos não se comparam aos monstros fascinantes do passado glorioso - Barba-Negra, Bellamy, Morgan, Teachs. Eles tampouco provocam o romantismo fúnebre que cerca a história daqueles matadores selvagens dos oceanos.
Os novos piratas não operam nas mesmas áreas que seus ancestrais. Nos séculos 17 e 18, os navios de bandeira negra apavoravam o Caribe (Jamaica, Cuba, Bahamas, etc.), por onde passavam os galeões espanhóis que retornavam da América do Sul com os porões abarrotados de ouro e jóias.
Hoje, os novos piratas infestam sobretudo o Oceano Índico - um pouco do leste da África, do Arquipélago de Zanzibar até a costa da Somália, e muito do Extremo Oriente (Malásia, Cingapura, Indonésia).
A novidade é que "sociedades privadas" de mercenários acabaram atraídas para esse promissor mercado aberto pelos novos piratas. Elas oferecem seus serviços a companhias cujos navios estão sob a ameaça dos malfeitores do mar.
É fato que as Marinhas nacionais fazem o possível para recuperar as embarcações capturadas pelos piratas. É o caso neste momento: uma frota de navios de guerra franceses cerca o veleiro tomado pelos piratas na Somália.
Mas os armadores, em geral, preferem pedir ajuda às sociedades privadas, que podem fornecer levas de mercenários duros, profissionais e muito perversos.
Para as sociedades de mercenários, esses piratas são uma bênção! É verdade que elas obtiveram bons lucros no Iraque e em todas essas "guerras de pobres" que fazem hoje a história do mundo.
Mas é preciso pensar no futuro. O Iraque continua um caso lucrativo, mas é preciso imaginar o pior (para elas): pode ser que essa guerra um dia acabe.
E o que será então dessas companhias de mercenários? Essa é a razão pela qual elas oferecem hoje seus serviços contra a pirataria. A sociedade inglesa Maxime Risk Management oferece aos armadores um "serviço de intervenção rápida em caso de agressão pirata".
Os folhetos comerciais são alentadores: "Podemos reencontrar a embarcação capturada pelos piratas e recuperá-la por meio de nossas equipes especiais."
Por quais meios? Pela força? Pelas armas? Mistério... Estamos entre gente distinta, claro.
A discrição impera. Mesmo assim, o folheto publicitário levanta uma ponta do véu: "Primeiro, pela negociação. Depois, por métodos mais intensivos."
Na Ásia, os mercenários são apreciados. No Estreito de Malaca, onde há abundância de piratas, a Compagnie Anglo Marine Overseas Services utiliza os gurkhas - antigos soldados de elite e muito ferozes do Império Britânico.
Na Nigéria, África, as plataformas petrolíferas são guardadas por navios pilotados por tripulações locais, cuja segurança é mantida por mercenários ocidentais.
* Gilles Lapouge é correspondente em Paris
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