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PM prende 12 em bloco ocupado na USP

Ação de reintegração de posse de prédio do Coseas invadido por estudantes em 2010 envolve 300 homens da Tropa de Choque

20 de fevereiro de 2012 | 3h 02
Luísa Alcalde, do Jornal da Tarde, e Solange Spigliatti, do estadão.com.br

Estudantes e moradores do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), na zona oeste da capital, foram acordados ontem por 300 soldados da Polícia Militar, em 50 viaturas, e por dois oficiais de Justiça que, às 6 horas, foram ao local cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse no bloco G do Crusp. No total, 12 pessoas que estavam dormindo ali foram desalojadas.

O prédio era usado pela Coordenadoria de Assistência Social (Coseas), antes da ocupação de cerca de 50 pessoas, em 2010, que reivindicavam mais vagas no Crusp. Das 12 pessoas - 6 homens e 6 mulheres, incluindo 1 caloura menor de idade - que ocupavam apartamentos no bloco G, 9 eram estudantes da USP.

O grupo foi detido e conduzido pelos PMs ao 14.º Distrito Policial (Pinheiros). A PM filmou a reintegração de posse para documentar a ação. Quando os estudantes e seus acompanhantes estavam sendo colocados na viatura houve resistência por parte de outros alunos também moradores do local. Eles atiraram pedras contra a Tropa de Choque da PM que isolava a área. Os policiais revidaram, mas, de acordo com a PM, não houve feridos.

Depois da delegacia, o grupo detido foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para se submeter a exame de corpo de delito e liberado. De acordo com a PM, os objetos das 12 pessoas foram entregues para a USP, por meio de depósito. A PM decidiu manter policiamento no local em apoio à Guarda Universitária.

Disputa. A ordem de despejo foi apenas o último lance de uma disputa entre os estudantes que, em março de 2010, ocuparam o prédio que estava sob responsabilidade do Coseas e a reitoria da USP. Por determinação do reitor, João Grandino Rodas, foi aberto um processo na época para apontar responsáveis pelos prejuízos referentes à ocupação. Segundo a Reitoria, a ação dos alunos resultou no extravio de milhares de documentos e de aparelhos eletrônicos, como 17 computadores completos e duas impressoras, entre outros equipamentos.

A principal reivindicação do movimento, intitulado Moradia Retomada, era o aumento de vagas no Crusp. Em 17 de dezembro do ano passado, um dia após o fim das aulas, o Diário Oficial do Estado publicou despacho do reitor expulsando seis alunos que ocupavam o local. Ao todo, eram 13 processados - 5 foram inocentados e 2 dos punidos já não estudavam mais na universidade. A punição foi decidida por uma comissão formada por três professores e o reitor acatou o relatório - que tinha como fundamento o regimento disciplinar de 1972, época da ditadura militar.