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PMDB retaliará Virgílio com até quatro representações

Em meio à guerra que se anuncia no Conselho de Ética, líder do PSDB no Senado estuda uma nova denúncia, agora contra Renan Calheiros

31 de julho de 2009 | 0h 00
Eugênia Lopes e Carol Pires, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

A guerra deflagrada entre o PSDB e o PMDB na apresentação de representações no Conselho de Ética do Senado não vai terminar tão cedo. A presidente em exercício do PMDB, deputada Íris Araújo (GO), e o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), anunciaram ontem formalmente que vão entrar com representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no início da próxima semana. A ideia é protocolar de três a quatro ações por falta de decoro parlamentar.

Por sua vez, Virgílio estuda encaminhar nova denúncia, desta vez contra Renan. Ele avalia que o líder peemedebista feriu o decoro ao ameaçar denunciá-lo ao conselho, caso o PSDB insistisse em pressionar pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. "Não podemos esquecer que ele ia ser cassado por corrupção e depois ficou no plenário implorando por votos para se salvar", disse ontem Virgílio.

Sarney é alvo de 11 ações no conselho: cinco representações (duas do PSOL e três do PSDB) e seis denúncias - quatro só de Virgílio e duas assinadas pelo tucano e pelo senador Cristovam Buarque (PMDB-DF).

"A partir do momento que o PSDB assinou embaixo as representações contra o presidente Sarney, não deixou outro caminho ao PMDB a não ser protocolar as ações contra o Arthur Virgílio", disse ontem Renan, ao argumentar que a quantidade de ações contra Sarney "é a marcha da insensatez".

Segundo Renan, o PMDB entrará no conselho apenas contra o líder tucano. "Vão ser de três a quatro representações", explicou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos integrantes da tropa de choque de Sarney. A presidente em exercício do PMDB disse que a assessoria jurídica do partido estuda a melhor forma de encaminhar as acusações.

Integrada em sua maioria por deputados, a cúpula do PMDB resistiu a entrar com as ações contra o tucano porque não queria se imiscuir na crise do Senado. Mas acabou atendendo aos apelos de Sarney e Renan. "As providências que serão tomadas são por fatos que estão ocorrendo, por denúncias de parte a parte", disse a presidente em exercício do PMDB, tentando refutar a ideia de que o partido entrará com as representações por retaliação.

?COISA EXPLOSIVA?

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), as representações de ambos os partidos transformarão a Casa em palco de guerra a partir da semana que vem, quando acaba o recesso. "Vai ser uma coisa explosiva. O PMDB vai partir para a insensatez", disse.

As representações do PMDB contra o líder serão embasadas em discurso do próprio Virgílio, que da tribuna do plenário do Senado confessou ter tomado 3,3 mil emprestados do ex-diretor da Casa Agaciel Maia, quando teve problemas com seu cartão de crédito em uma viagem com a família para Paris, em 2005. Virgílio também admitiu ter mantido funcionário fantasma em seu gabinete. Ele passou 18 meses na Espanha, recebendo pelo Senado.

"Não foi uma coisa correta (o caso do fantasma), eu já estou devolvendo o dinheiro. Eu pedi para devolver. Mas Renan e Sarney não têm condições morais de cassar o meu mandato. É de morrer de rir. Isto é humor negro", disse Virgílio. Esta semana, ele já pagou a primeira parcela, do total de R$ 210,9 mil.

Outra denúncia contra Virgílio é que ele extrapolou o limite de gastos de saúde com sua mãe. Como viúva de ex-senador, a mãe de Virgílio tem direito à assistência médica vitalícia às custas do Senado, mas limitada a R$ 32 mil ao ano. A mãe do parlamentar, que já morreu, teria gasto mais de R$ 500 mil.