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‘Podem investigar tudo da minha vida, abro meu sigilo’, diz Chalita

Deputado diz que é vítima de complô político-eleitoral

03 de março de 2013 | 2h 02
FAUSTO MACEDO, BRUNO BOGHOSSIAN - O Estado de S.Paulo

Acossado por 11 inquéritos do Ministério Público Estadual que pretendem devassar sua gestão na Secretaria de Educação de São Paulo (2002-2006), o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) desafia o analista de sistemas Roberto Grobman, autor das denúncias de que teria recebido R$ 50 milhões em propinas de empresários. "Onde é que está esse dinheiro? Se ele viu tantas caixas de dinheiro no meu apartamento, por que não fez fotos?", questiona.

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link Dossiê de delator de Gabriel Chalita tem fotos, e-mails e notas fiscais

Chalita diz ter identificado a origem das acusações que o afligem. Ele conta ter sido avisado, ainda durante a campanha municipal do ano passado, de que integrantes do comitê de José Serra, candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, vasculhavam sua vida e procuraram desafetos a fim de atingi-lo. Grobman, diz Chalita, é um deles. O analista de sistemas acusa o deputado de enriquecimento ilícito. Aponta pagamentos de propina no exterior e relações escusas com grupos empresariais ligados à área de educação.

Nesta entrevista ao Estado, Chalita repudia a versão segundo a qual pilhou a pasta que dirigiu por cinco anos e afirma que abre espontaneamente mão de seu sigilo bancário.

O deputado diz ainda que vai à Promotoria entregar uma relação de cheques com os quais diz ter pago despesas com a reforma de um apartamento em Higienópolis. O delator narrou que a empresa que fez a automação do imóvel recebeu US$ 79.723 no exterior, valor que teria sido bancado pelo empresário Chaim Zaher, do grupo educacional COC - o fornecedor dos equipamentos disse ter recebido fora do País.

Chalita afirma que comprou apartamentos em São Paulo e no Rio com recursos que amealhou dando palestras e com venda de livros. Contabiliza receita de R$ 1,7 milhão, em 2012, referente a direitos autorais de suas obras literárias.

Ele admite relacionamento próximo com seu acusador, Grobman, um ex-colaborador do grupo COC e ex-namorado de uma assessora. "Roberto é estranho, complicado", diz. "Isso (a denúncia) é como alguém que coloca droga na sua mala. Aí você tem que provar que a droga não é sua", compara.

Apesar de se dizer triste, Chalita afirma que sua meta política para 2014 está incólume: "deputado, governador..."

A quem o sr. atribui as acusações?

Durante a campanha para prefeito, muitas pessoas que trabalharam comigo na Educação me ligaram dizendo que haviam sido procuradas pelo Ivo Patarra (jornalista que trabalhava com o deputado Walter Feldmann, do comitê de campanha de José Serra, do PSDB). Ele procurava alguém que tivesse brigado comigo. Pelo menos seis pessoas me ligaram e me alertaram. Fiquei com aquilo: será que esse cara trabalha no comitê do Serra mesmo? Será que eles fariam isso, investigar para ver quem tinha brigado comigo, se teria alguma coisa para eles usarem na campanha?

Por que Roberto Grobman o denuncia?

Fiquei sabendo que mandaram uma denúncia anônima parecida com a que ele fez ao Ministério Público. Foi no começo de setembro. Em outubro ele foi à Promotoria. Como o que ele disse à Promotoria é parecido com o que estava no dossiê anônimo, pensei: é a mesma coisa. Não sei por que não usaram naquele momento (das eleições). Ele (Serra) ficava sempre muito irritado comigo nos debates. Falaram para mim: eles estão armando para você. Uma vez falaram: brigou com o Serra você sai destruído, não é? Eu disse, não tem o que o Serra pegar da minha vida. Pode investigar a secretaria inteira, tudo o que fiz na minha trajetória política, desde vereador em Cachoeira. Não imaginava que fossem fabricar dossiê, pegar uma pessoa que tem raiva de mim, que, por alguma razão, foi instrumentalizada para construir essa história.

Acredita em um complô?

A estratégia do Roberto não é ele sozinho. Cada dia ele solta uma coisa, arma um circo no Ministério Público para ter imagem. Tem alguém articulando o cara para que ele faça isso. É impressionante. De graça ele não faz isso. Dez anos depois uma história, o cara ficou indignado. O Walter (Feldman) é também muito ligado ao (Gilberto) Kassab (ex-prefeito de São Paulo).

Grobman diz que o sr. recebeu R$ 50 milhões em propina.

De onde ele tirou isso? Aí você lê que o dinheiro chegava em caixas de papelão, de guitarras, que chegavam no apartamento com esse dinheiro. Imagina a quantidade de caixas para caber R$ 50 milhões!

Abre seu sigilo bancário?

Na hora! Telefônico, bancário... Pode grampear, pode investigar tudo da minha vida.




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